Total de visualizações de página

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

--Luando na Janela--



A Lua chicoteia e reluz essa prateada beleza no mar,
Escuro ele recebe calado, tão belo fica as águas desse mar.
A lua conversa com as águas no recanto calmo do lado de cá
A noite é sempre tão bela no verão de acordes a pestanejar.
Como em um quadro pintado em janela me deito a admirar.
No Balneário de sonhos e encanto
Calor,silêncio e o mar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

--Poesia Pra toda Hora---



Poesia de alegria,
Mesmo com aquela apatia.
Poesia minha amiga,
Ainda que as vezes preterida.
Poesia minha companhia.

Poesia Calada.
Poesia que só me ouve,
Poesia minha que no frio me cobre.
Poesia sempre me descobre.

Poesia que comigo andas,
Poesia que a mim sussurras,
Poesia de palavra nua.
Poesia Puta.

Poesia companheira e leal.
Poesia pra tempo ruim,
e pra tempos de sol.

Poesia que não me larga
Poesia safada.
Bato com a mão na sua cara
e você volta acalmada.

Poesia cachorra.
deita do meu lado e me lambe
Poesia sem vergonha,
Apanha mas não some.

Me enche de palavras
A poesia do teu nome.
Qual será seu sobrenome?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A ESCOLHA


É hora de tomar as rédeas da minha vida,
Agarrando pelos chifres de bicho que ela tem.
Segurar firme e dar o rumo que quero.
Sim, é preciso se renovar, se libertar e resolver.

Cansei de deixar-me levar sozinho pelos rios
Sem muito decidir o que queria, onde pararia.
Cansei de ser figurante do meu próprio filme,
E ser um estranho dentro do meu teorema.

É uma dose grande de coragem que preciso
Mas é urgente decidir, pois esse tal tempo,
Não tem muito tempo para das duvidas da gente.
A felicidade mora nos sonhos escondidos, repreendidos.

O Dinheiro não paga a dor da solidão,
Nem tudo vale se fazer por ele
Essa distância só corrói o casco da felicidade
E não há tempo nem gosto para se bater a ferrugem

É hora da escolha pois não há mais espaço
O trabalho,o amor,a moradia,a alegria e a vontade.
Olhar pela janela no planejar do amanhã
Ser inteiro “por inteiro” filtrando
a filosofia vã.

domingo, 11 de novembro de 2012

Madrugada Entre-Rios


Escrevo para os que têm insônia e fome na madrugada.Deitados ainda, tem aquela preguiça de se levantar, andar sozinhos pela casa vazia, cheia apenas de silencio e angustia.
Medo até ,diria, dos corredores escuros, o medo de algum barulho, o som estranho que pode brotar inesperadamente no se calar frio e chuvoso desse madrugar solitário.
O sono também não vem todo,seria até uma rápida solução,não sente fome quando se dorme.
Mas ele não vem, são 2:30 da madrugada, o computador ligado no canto onde só a luz desse monitor é o que reflete dentro desse quarto qualquer visão calada, muda,sozinha.

A coragem vem junto com o estômago que parece não mais aguentar,o levantar como quem amanhece, dor nos pés,um pouco também nas costas,caminhando pelo corredor antes descrito, procuro em vão o interruptor.Até hoje não sei nem onde se ascende a luz nessa casa vazia.
A cozinha chego e da geladeira a unica luz,procurando uma fruta, um leite,um pão, algo que alimente o corpo, o tempo , o pensamento as inquietações.
Sentado em “puff” amarelo, mordendo uma maça, água fervendo para um chá, falo sozinho para um boneco de criança jogado no chão:
- Madrugada estranha não Wilson?
Começo a rir sozinho, acho-me louco, lembro-me do filme ,deste personagem,continuo a mastigar com espalmo labial, olhar para a parede branca,reparo pequenas rachaduras,me sinto vazio de sentimentos.
É como se a saudade fosse o sentimento como um todo e a solidão fragmento grande dela,como se vivessem juntas,contidas uma na outra e são elas que me são companhia nessas madrugas distantes das pessoas que amo.


A água ferveu, fiz o chá,fui pra quintal,sentei na beira do jardim e fiquei olhando pro céu.
O relógio me apontava mais de 3 da manhã,entre um gole e outro,já não tinha mais chuva, o céu escuro escondia também as estrelas e dava um ar mais sombrio para essa noite.

Postei-me ali a pensar mais uma vez nessa distância,dessa escolha,dessa saudade e junto dela essa solidão. A Madrugada silenciosa ,o vento parou,mais goles do chá e uma apatia que não permitia nem o choro nem vela, nem angustiado ou preso,apenas o apático daquele momento.

Volto pro quarto,ligo o som em volume baixo, reparo que o relógio na parede esta quebrado,marca sempre 11:45,e fico ali deitado,ouvindo o som, pensando nesse relógio e nesse tempo que parece não parar, paradoxalmente ao que me mostra na parede.(já são 3 meses que estou por essas bandas de cá.)
Os fins de semana nesse lugar parecem ter 7 dias, e os dias,cada um 48 horas.
Penso em ir pra internet,mas a vontade se vai,penso em ler algo mas não passo da pagina em que parei,desisto e decido escrever.
É como um bomba presa nos dedos e no pensar,me destilo em palavras,pronto a descrever, esses dias tão vazios, loucos por se esquecer.
Vai passar,já dizia o outro, tudo passa, passará,mas eu continuo aguardando, fecho os olhos,oro sem silêncio,me viro e espero o sono chegar,lembro da proximidade do meu aniversário, lembro de inferno astral, volto a orar,o sono vem chegando, é hora de se entregar.Boa Noite.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Jogo de Palavras


Eu pensei em lhe escrever,
-Cartas
Eu imaginei você me lendo,
-Palavras
Eu sonhei você sonhando,
-Cores
Eu mergulhei dentro de ti,
-Mar
Eu nadei no teu oceano,
-Sol
Eu vi nascer aquele dia,
-Horizonte
Bebi naquela aguá,
-Fonte
Transbordei de desejo,
-Ar.
Então...

As cartas pelas palavras
das cores do mar,
Sol no horizonte
Fonte de ar.

Hugo Mendes Guimarães

sábado, 27 de outubro de 2012

O TEMPO SEM TEMPO


Queria mesmo escrever sobre o tempo,
Mas ele fugiu de mim sem dizer que ia.
Queria mesmo escrever sobre essas horas rápidas,
Mas elas voaram de mim como passe de mágica.
Eu pensei em falar sobre as estações,
Mas quando percebi, já não consegui distinguir.
De janeiro a Dezembro :
Primavera, verão, outono e inverno,
Nada mais os caracterizava.

De frio a flores nascendo,
Calor sorria solto sem se preocupar com mês ou data,
de folhas caindo a vento gelado
Ipês roxos nasciam no ventre da geada.
Queria mesmo entender às 24 horas,
Mas é tempo de menos pra pensamento demais.

Pensei em escrever sobre o tempo
Mas veja que curioso,
Não há mais tempo,
Nem relógio certo, a ampulheta quebrou.

Resta uma estranha agonia,
Mas também um bocado de alegria.

Hoje não olho mais para tempo,
Observo o que me importa.
Eu olho pra dentro.
Com Licença, tempo.
Eu hoje estou sem tempo.
Você deve entender.










sábado, 6 de outubro de 2012

DIAS-NAO-DIAS

Tem dias em que aquela energia que arrepia não vem,
Essa mesma que te faz sentir vivo,
Tem dias que ela não aparece não.
São também nesses dias que sem esse tremor na pele
a vida parece mais cansada sem o arrepio pela derme.
Os olhos ficam buscando uma inspiração
Os dedos involuntários, brincam sozinhos
O pensamento um caminhão de ideias
Um monte de coisa cortando a matéria

Tem dias amigo , que o que você sente é um nada
uma camisa ao avesso, um grito de eco do morro
quieto esperando um som diferente no voltar

Tem dias amigo
que nem parece dia.
Porque não teve sol
não teve alegria.
Não teve dança
só angustia e Melancolia

tem dias que não são dias
porque não teve Magia.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Tocando Palavras



E eu era só um sonho que acordava de mim
Eu estava em desencontro cansado, meia luz sem fim.
Era pelo horizonte que eu te via passar,
E te via em sonho acordado, luz, agridoce paz
Desaguava em mim e ancorava no distante cais.
Eu dizia que não haveria um sol sem o céu
nem um acorde qualquer teu
sem um jogo de cordas desse instrumento meu

Mas tinha tanta coisa na musica do seu olhar,
Era tanta nota, clave de sol, pueril brilhar
Tudo aquilo me tocava, me fazia som
Aplumava o solitário Cantar

Cantando na janela do imaginar do seu ver
Fazia meus instrumentos de palavras
Buscando nas poesias uma forma de te dizer
Que dedilhando poemas em ti
Eu me encontro no tom do teu ser
És prima
a vera no meu amanhecer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Meu irmão...

Meu irmão vou te contar uma coisa, tenho sentido saudade.
tenho sentido saudade sem mais tamanho de coisas que não sei dizer o que,
mas a saudade é também do meu lugar que deve estar perdido, eu ainda não conheci.
Saudade dos amigos que ficaram na região dos lagos,das risadas e abraços.
Meu irmão esse lugar aqui é distante, as pessoas são simples mas os olhares são paradoxalmente mais próximos , as pessoas tem mais fé, e querem muito conversar.Cá estou e me sinto só, como ,imagino, estar em uma selva com uma faca,dia após dia aguardando o momento de voltar pra casa.
Aguardo o tempo passar passando por ele.
eu sinto uma saudade grande de uma liberdade sem preço,de uma dança agradável,de um cheiro que me lembra tanta coisa boa.
tá, eu meu lembro com detalhes de tanta coisa que passei,eu carrego no peito uma calma estranha de alma e ao mesmo tempo um medo de enlouquecer.
ora porque esse pensamento sempre me vem a tona:
-Esta tudo bem?? Tudo certo? É por aqui que devo caminhar? Aqui devo estar?

Olha eu não sei te dizer se o tempo passa rápido mas esse ano foi mesmo como um CD de musica,TOP10 , as melhores musicas bem tocadas de 40 minutos,
você não sente,quando percebe já terminou.(se não terminou, está na ultima faixa)
Muitas conquistas,planos,vitorias,provas,processos,vitorias minhas,de amigos,familiares,trabalho,dinheiro,sim,eu tenho mais é que agradecer, e tenho feito isso mais próximo da energia de Deus, sim , isso tem sido bom.
Dancei muito menos que gostaria,tomei menos banho de mar que supunha,menos nado na cachoeira que gostaria e menos viagem que pretendia.
Monte de coisa meio inacabada sabe como? E outras com ponto final.
Mas ainda restam alguns momentos nesse ano que se fecha,em breve, até La,vou me programar ou derreter pelos dias que faltam do ano ouvindo essa ‘ultima faixa’ do cd. Se eu não ganhar, termino empatado com o mundo,e entramos em 2013,3 x 3, o velocímetro zerado e reinicia o campeonato mais importante do planeta, Sua vida.
Meu amigo essa carta é pra dizer que as coisas estão indo bem,embora ainda estranhas,entrando no eixo,devagar,sentindo as perdas,mas também
os ganhos,meu amigo vai ficar tudo bem, essa vida que nos leva tem muita coisa além.
A solidão as vezes deita do meu lado,tenta me abraçar,faço uma breve oração,digo pra ela
-Pode vazar.
Ai me da vontade de escrever,de ver,beijar,beber,tocar...
Saudade do meu violão e medo do tempo que nos engole sem digerir direito,
cara,as coisas vão se resolver, tudo se acalma estranhamente dentro do meu peito quando penso em voltar, quando penso em achar meu lugar,tudo vai se ajeitar,tenho fé no encontro do rio e do mar.
Esse ano é a vitoria de todos os outros.Esse ano é o corte do papel,metade poesia,metade musica e amor,coisa desnuda e feito de encontros desencontrados, de amores recuperados e de som de chuva em sonhos apertados mas cada vez mais reais.
Me renovo todas as manhas sabia? e todas as noites descanso em mim e em pensamentos tão calmos que me fazem dormir bem.
Amém


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Metro Rumo à zona sul



Às vezes a vida me faz esbarrar com você por ai,
Às vezes parece até de sacanagem,
Como se não fossemos nos reconhecer
Como uma luz de lanterna na garagem
Qual seria a reação te encontrar nessa viagem?

Às vezes como um relâmpago que nasce e morre
Dá aquele clarão, consegue ver no vulto e imaginar,
-será que era ela na multidão?
Nesse Bosque de encontros inesperados
Fica uma sensação de vazio, estranho, melancolia.
Fingir que não te vi ou fingir que nunca te conheci?

domingo, 19 de agosto de 2012

Sábado Congestionado



Tinha tempo que eu não andava
Gripado.
Tinha tempo que eu não andava
Cansado.
Também ansioso,calado,pensativo,
congestionado...
Congestionado nariz e ouvido
Eu não consegui ouvir e sentir você
Pra além do que se pudesse ouvir,
seu cheiro visitar,sorrir...


Falhei sem dar a devida atenção,
Tentando me recuperar,
Ledo engano, cura em vão.
A noite, banho tomado,arrumado,
Perfumado pra sair, pra te encontrar
Deitei um pouco
na esperança de melhorar...
Dormi sem querer no ontem,
Sono pesado, sonhei com você
Acordei suado no domingo de hoje as 6
Completamente descongestionado,
Melhor da gripe
Agora sinto cheiro
Mas é do meu silencio
Agora escuto
Mas é o som do arrependimento
Talvez mais saudável
Porem descontente
Congestionei o sentimento
onde deveria ser ardente.
Idiota de mim.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

ALFREDINHO



Alfredo tinha 10 anos de idade e uma vontade completamente atípica, era sede de mundo,que seus amigos da mesma idade não tinham muito Não.
“Alfredinho”,como era chamado por todos, era bem quieto, observava os amigos jogando bola e participava, do lado de fora, com seus gritos e total ironia das coisas.
Nunca gostou muito de esportes, e por aquela idade, já estava certo de que não iria se aventurar em nenhum outro, embora só conhecesse os mais praticados no seu Pais.
Um dia Alfredo estava na sala de aula e sua professora falou sobre poesia,
ficou ele ali, quieto, olhos vidrados na lousa, enquanto a professora escrevia.
“POEMINHA DO CONTRA”
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Alfredo leu, leu novamente e releu mais umas 10 vezes, algumas crianças ao seu lado riam, ele ali fomentado a entender o que a coisa queria dizer.
Não sabia o significado de poesia e se viu confuso naquela escrita “com duplo sentido” que Mario Quintana eternizou.
-Alfredo,gostou? Entendeu? – perguntou a professora enquanto ajeitava os óculos na face.
O menino quieto, com os olhos na janela, procurava nas árvores do colégio, uma resposta.
-Professora, ser um passarinho é ser poeta? Tipo assim,um passarinho é o próprio poeta?Porque se as pessoas ‘passarão’ e ele passarinho,ele passa devagar ou ele é um passarinho?

A professora deu um pequeno engasgo, fez tossir, olhou novamente pra Alfredinho e disse.
-Sim Alfredinho.Se você entender que a mente de um poeta pode ter asas e associar que pássaros também as tem,você pode ser um poeta.

-Professora,ele é um passarinho ou ele passou devagarzinho? –insistiu o menino-
-Eu não sei te responder isso. –disse a mulher com tom de insegurança-

As demais crianças riam da cara de Alfredinho como se tivessem pena e achassem graça nas perguntas ‘sem sentido’ do menino quieto, tímido e observador.

Naquela tarde,ao chegar em casa,foi a primeira coisa que perguntou ao seu pai:

-Pai,me explica o que é poesia?
-O que você quer saber filho?-perguntou o pai enquanto deitava no sofá-
-Queria saber o que é poesia e se o senhor tem alguma, um tal de ‘Mario Mintana’ tem uma, que a professora nos mostrou hoje.
-É Mario Quinta filho – corrigiu rápido sorrindo-
-Isso,esse Mário disse na poesia dele que era um passarinho,mas e se ele é poeta,então,um poeta pode voar pai?

O pai ficou mudo, os olhos se voltaram para o teto por alguns segundos e ele disse:
-Não tem quando você esta deitado, na hora de dormir, e fica se imaginando lá na casa de campo da vóvó?Quando você fica se imaginando lá,correndo,brincando,tomando banho de piscina,consegue lembrar com detalhes como é o sitio,o cachorro REX da vó, e até aquele cheiro que ele tem quando se molha?
-Sim pai, claro,claro,consigo ,da até saudade.
-Pois então,mas você não esta deitado na cama filho?Como pode sentir tudo isso?
-Acho que é porque eu amo a casa da vovó e minha mente Voa até lá,caraca.
- E quem voa é quem meu filho?
-passarinho pai - disse todo sorridente-
-Passar seu pensamento pra escrita,em um papel,na hora em que você voa em pensamento como um passarinho, que te leva a alguém ou algum lugar que ama,te faz feliz,isso é poesia filho,acho que isso é a poesia. – explicou meio aliviado e confuso-
-Pai,posso te falar uma coisa?
-Claro Alfredinho
-Eu sou um Poeta então? – esticando o braço entregando um papel ao pai-
O pai meio sem entender, o pega, ajeita o olhar e lê:


“Poeminha Da poesia”

“Na janela da escola tem arvores que são casa de passarinho
Lá o pensamento dorme,o Mario quintana voa,o mal passa
e a poesia é um pensamento cheio de graça.”


-Que isso meu Alfredinho,meu filho,você é um poeta !Maravilhoso sabia?
O menino se pegou a sorrir enquanto abraçava o pai.
-Mas posso te falar uma coisa? – disse o pai com os olhos d’gua-
-Claro pai
-Você é minha melhor Poesia.
-Ué pai, eu sou poeta ou sou POESIA? Hi,coisa mais confusa – disse ligando a TV-
-É filhão, vamos deixar pra amanha, a gente continua essa conversa,meu poeta-poesia.
-ham?


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Frances

Olha que ao acordar la pela meia noite,
eu não imaginava trocar o dia pela noite.
Aquele Bar com gosto francês,
tinha samba,gente boa e bonita até as 3.

Olhares cortados pela lateral de um cardápio
Olho se procurando na sombra de uma coluna
Mais uma vez,um jogo estranho,com calma,ternura
Vinho tinto seco,frio e alegria pura

De certo,como dizia o poeta, o rapaz
com cara de marido, a moça pode se aborrecer
Fique assim não,tudo existe o passar
haverá claridade no desabrochar

Perigoso andando na corda bamba
sorrisos sortidos,batuque na mesa, samba
um abraço, despedida
aqui me vou
pede a conta
paga o couvert
tem 10%
mas valeu o a beleza
o amigo
o
assento


----Sobre o que Só vi------

----Sobre o que Só vi------

Ela tem um olhar perdido, ela tem.
ela tem um desejo consumido,
uma vontade de mundo, de ter,transcender.

Essa mulher esta amarrada
Asas machucadas,que ela escolheu
sofre cantando em gaiola
ela sabe o preço de ter a liberdade vigiada

é do tamanho da sua beleza
o condicionamento escolhido
e nada além do que pulsão
e incomodo de desejo reprimido.
Ela não está feliz.

terça-feira, 24 de julho de 2012

--Vendo Coisas---

--Vendo Coisas---

Quando olhei para o lado e percebi,
Você já não estava mais ali,
Puto,Fui pra casa com sono
Fiquei deitado posto a dormir

Quando você apareceu no sonho
Não falava nada, só fazia sorrir
Tentei chegar perto tecer um toque,
Um beijo, algo pra se fazer sentir

E você voava...

Acordei assustado, procurando você ali,
na cama vazia,coberta fria, óbvio, tu não estavas mesmo ali
Deus Sabe onde,
Voando por onde me perdi.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

---Procura Então----

---Procura Então----

Se eu for ali e não voltar
procure-me nos meus livros
Se também não me achares
Procura nas minhas poesias perdidas

Se sentir meu cheiro por ali
tente sentir tambem esse vento que passa
Deguste esse vinho, afaste a alma da ressaca
Feche os olhos,sinta esse gosto, novamente, tente.

Por ultimo me procure no mar,
Na ponta da pedra, no sal, no verde do ar
Se mesmo assim não me achares
fica tranquila, porque nunca nos perdemos
Pelo fato de que na verdade,olhamos
mas nunca nos vemos
De fato,achamos mas nunca nos tivemos
Agente
Nunca.

Gudão Hugo Mendes Guimarães
18-07-2012
Dia de frio

domingo, 8 de julho de 2012

Domingo a tarde

Caindo leve a chuva no verde,
a água caindo no mar...
ventando leve no azul, brisa
brisa no frio do inverno no ar.

Olhar de melancolia
Para o domingo que cai
Ouvindo no radio uma doce melodia
Sentindo algo que se esvai.

Suscitando você aqui, cheiro e cor
Vai,leva,traz toda sua alegria
Vem com calma
E se aconchega no meu cais.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

//MINHA FALTA//


O que te quero dizer é que eu não sei,
Mas o que quero te dizer é que eu nem sei,
Digo também que sinto, isso sim,sinto.
Mas quero te falar onde não minto,
Eu sinto,mas as vezes omito.

O que quero dizer é que nem tudo tem nome,
As vezes o rótulo esta em construção.
Desconstruindo coisas para construir outras,
Mas sou calmo demais passando despercebido.

Passo às vezes por coisa que não sou,
quieto e pensativo pareço que não me dou
Perdido em mim e muito cobrado
falto onde devo ser demasiado.

Perco-me na objetividade
É muita volta pra pouca curva
Minha sentença vem sempre a cavalo
E pago caro pela minha água turva

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sendo-Estações



Sou uma voz angustiada no outono
crepúsculo de inverno sem vento
Tento de magia minha em qualquer estação
Sou um choro calado na primavera com poucas flores
e sol mar sereno nesse calor sem fim
coisa qualquer calada
que deságua sóbria dentro de mim.

Guimarães,Hugo


CrÕnicoA


Ana



Crônico estou,
Crônico de mim,
Só resta minhas crônicas sem fim
Anacrônico “do-eu” mesmo
Faltando pedaço,despedaçado-todo,gasto.
Como uma luz de laser na era das cavernas
Fora de tempo,perdido em sentido
Anacronicamente atemporal e perdido.
Cego em círculos tropeçando em si
Olhando o relógio,choro colado.

VERDE OLHAR





És verde assim
Bem teus olhos que falam
És úbere contentamento
Um cheiro de jardim florido
Borboletas alegram todo tecido

És moça com cheiro de amanhã
Calada, por vezes, se pega escondida
Bem dentro de si,achada,perdida.

Tem um beijo de verdade
Uma pulsão de calma, serena
Pueril música aos olhos, branco-morena

Tem, temos, somos algo bom.
Onde falta palavra e sobra tom
Para música que encanta
É suave a presença ,tua dança.

Ha de ser como cheiro bom.
Coisa suave, pendo pelos ventos de
novidade, idade, tempo, ser...
É bom e não tem nome
É o que é
Vento
Ven
tura pura "

DESPERTAR





Evocado seus próprios ecos
gritava calado para dentro d’ALMA
-tem alguém por ai?
Respondido no voltar de
bater nas paredes grandes de seu coração
Com uma Mao molhada e fria
que lhe esfregava o rosto e dizia
- mais um dia.

Por ali mesmo ele agradecia,
a uma divindade desconhecida o seu
Saudável viver,a sua alegria ,ser
exatamente o que se era,é
O que nem ele pudera por assim perceber.
transcender
ascender

Fazendo Pensar


A vida sempre me presenteia dentro de uma caixa escura, com laços coloridos e sem sentido, teria me dito?
A vida sempre me corta a régua toda vez que penso em medir,
me tira as vendas toda vez que quero cegar,
me abraça quando penso em correr,
me empurra quando quero estacionar.
Ela me manobra quando acho que o melhor é parar
e me freia quando tento voar.

Vem mesmo com uma embriagues de sorriso
,pulsão do novo toda vez que abro os olhos
e penso no dia que renasce gostoso
leve pelas frestas da janela escura do meu quarto.

É uma vontade que se perde na vontade do mundo,
é estranho percebe-se sem controle de qualquer coisa,
achando engano, dentro de seu ser, um controle de sua vida,
um peso,um tamanho, uma forma.
Mas tão disforme é tudo isso,

Tão obscuro o gosto,desgosto do mundo,sorri.
É leve o pesar do pulmão do mundo que respira por si,
que te traga todo dia num prazer de só quem traga tem.
E te assopra lentamente para o novos despertares,olhares,entregas e pensamentos sortidos no corta luz do jogo da vida cheio de brisas.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Poço do sentimento


Joguei o balde amarrado a corda no poço do sentimento
La no fundo, distante, só ouvi bater no chão,algo duro, seco,fez barulho
Fiquei ali, com a cara no poço,escuro,balançando aquela corda sozinho


Tentando ouvir o som de água,de claridade,
-Mata minha sede.
Mas era como só batesse em concreto,cimento,chão duro.
secou a nascente,cadê o sentimento do mundo?

Fui puxando devagar,triste,angustiado,sem sentimento?
Quando foi chegando perto, o balde ficou mais pesado,que isso?
Puxei com mais força,ficou muito mais pesado,desajeitado,foi me puxando
Fui caindo pra dentro
-Que isso?Eu vou cair,sem querer caí.

Que queda sem fim, poço escuro,de cabeça pra baixo,frio e medo
pensei em morrer quando no fundo batesse, e senti minha cabeça tocar,
pra minha surpresa,não morri,pois o chão quebrou
não me machuquei,estranhamente era água, o chão quebrei.
-Mas como pode?
Estava frio, era gelado,meu Deus,o chão não era cimento,nem pedra
Era Gelo, um grossa camada de gelo.
Chão de gelo no poço escuro do sentimento
Achei a água,dela bebi,por ali mesmo me lavei
o poço encheu
eu fui subindo
Cresci
Nasci
emergi
sai
Acho que vai transbordar.

RAPEL POETICO



Desperto cedo,as 6 já olho pra janela,ansioso,cadê o sol?
com a vista ainda no embaço,uma preguiça,um antigo cansaço
Um despertar com os braços levantados,esticados,como nos comerciais de tv
um bocejar pro mundo,pra vida,pro vento,pra poesia desse dia

uma oração iniciada em silencio,na janela,e terminada em alta voz
Um arrepio ,energia,conexão de estar vivo,livre,albatroz

O cachorro brincando no quintal,um muro por se construir
Desejos perdidos,mas se procurando no ser,nascer,sobreviver

O olhar de um poeta pra natureza,pro encanto,pelo gosto do vento
Pelo latir gostoso desse bicho,um úbere contentamento

A vontade de conectar a mente que não para de pensar,
o sentimento que vibra no corpo,transcender pro papel
Dizer a alguém, perto ou distante,escalada poética do rapel
Sento,escrevo,escalo,cheguei,esta aí
Poesia viva,sem querer concordar,ser,rimar
é poesia,viver,é observar,olhar,transportar.

domingo, 6 de maio de 2012

Dele com o sonho do mundo

Acordava coçando a cabeça e olhando pro teto branco pensava que já era tarde ,mas o relógio mostrava que era cedo ainda não eram 5 horas mas o sono se foi, e carregou consigo o sonho Sonho estranho dessa noite, de alguém que se afogava e pedia socorro. Bem como ele sentia o mundo,pedindo socorro,e ninguém percebia.

Ele gostava era de sonhos,dos eróticos aos antigos,de lembranças de anos de menino Gostava de acordar e ficar ali deitado lembrando,buscando na gaveta da alma no armário da memória o que acabara de sonhar,pra tentar guardar numa folha de papel,costumava ter um caderno no “criado-falador”


Ele tinha um sonho de mundo bom quando criança, mas ao crescer foi,naturalmente,sentindo as dores desse se perder,ou se achar? Foi-se sentindo as perdas,as transformações,o constante “sendo”,construindo,destruindo,indo... Ele não planejou esse dia, levantou,bebeu uma água,sozinho pela casa zurzido de si..


Ele se colocou na janela e viu aquele sol nascer, Lembrou das vezes que nem dormira, e na rua,com amigos,era um sonho de adolescente ficar acordado madrugada a dentro,até o sol nascer,era um desejo de menino com violão e vinho, e fome de ser. Pensou que o sol sempre nasce de um jeito, Pensou que o vento venta diferente por aqui sentiu um arrepio no braço como um alma tocasse o seu lado


Foi uma energia de vida dizendo singelamente, como voz divina, Deus - Bom dia. e assim esse dia começou.

-----------RASGO DE DESABAFO---------

-----------RASGO DE DESABAFO---------
A quem couber-
--------------------



Não adianta muito pensar, se indignar, ou achar que poderia ser diferente.
não adianta. Pare,pense,chegue a conclusão obvia das coisas irmão, aceite de frente.
As pessoas se distanciam umas das outras por vários motivos.

Por brigas sem muito valor,pelo valor que dão a vida com outro,casamento,amizades,trabalho,lugares,família,moradia.
As pessoas se substituem sim, e quer você queira ou não,aceite ou não,um dia, um belo dia
você sente que algo mudou , que a peça não encaixa como antes, que suas mensagens no celular não são mais respondidas,que as ligações não são retornadas,que seu amigo tomou léguas de distancia de tu,quer saber? Isso não é novidade.
A vida vai correndo pra todos os lados e não é todo mundo que esta naquele pique de te acompanhar, de saber da sua, de querer estar próximo.
Sabe como?Nego vai meter o pé parceiro, vão te trocar sim, e “ái” de tu que não faça o mesmo,não de a volta rápido pra tentar equilibrar esse lance, com outras saídas,outras pessoas,outras novas amizades, outro viver.
senão....Você está na merda, essa é a verdade.

As pessoas vem e elas também vão, muitas das vezes sem se despedir,é como se fosse um
- vou ali e já volto
mas por vezes,não volta não,e tu fica por ali, meio perdido,zurzido,cansado.
Tem gente que vai e nem diz que foi e se muda,e vai morar com a mulher que namorava numa cidade a 200km,bicho,isso acontece e se contente com o chat do site de rede social.
Quantos lugares você já trabalhou e conheceu gente interessante? Que considerou,pra alem de ‘colegas de trabalho’, AMIGOS, quantos? Quantas vezes?
e quando você saiu da empresa,todos fizeram despedida, se comprometeram a manter contato, a se verem, a serem amigos..


Nas primeiras semanas encontros,choops,churrascos,nos primeiros meses festas,churrascos..
e por fim,o fim do contato. Com os anos, é como um ‘colega de trabalho’ que você conheceu há alguns anos naquela antiga empresa que você passou.
Raros são os casos que venham a transcender e virar algo integro,raro é ser diferente disso.
E ai que tu fica ai, às vezes, sentado,pensando nisso tudo,lembrando dos amigos de infância,na nostalgia das suas memórias,no teu amigo que acabou de não atender sua ligação,na amiga que acabou por não te responder o email que voce a mandou tem 15 dias,na sensação sem tamanho de ser ignorado.Sim,é isso.

As pessoas se ignoram, os amigos também,sem frescuras? Ignoram-se sim,para de utopia.
Não estão com tempo pra você aquele momento irmão,porque? Você achou que estariam sempre a sua disposição?Não vão te visitar,estão enrolados com o trabalho,e quando você esta na sua cidade natal,depois de meses fora,também não procuram saber,viajam com seus amores,com seus novos amigos pra uma ilha em fim de semana de sol
- pô, foi mal, aparece ai com mais calma,saudade de tu.

-Que saudade o caralho,Meu irmão, quer saber da verdade?

Anda, Anda tu porque o mundo não para, faz tu a tua vida porque não tem maluco no mundo para fazer por você,ama tu porque não tem gente pra amar por você não e aceita,aprenda a aceitar que os outros, e no fundo até você mesmo,se distancia ,que não tem tempo,que se ocupa demais com coisas que significam de menos no cerne de uma amizade, e no fundo, a gente vai optando por outras coisas que só fazem tomar distancia do que outrora foi chamado de amizade.Maluco,quer saber?que isso cá pareça triste ,egoísta,carente,tempestade hiperbólica em gosta d’gua, mas quer saber?

Eu sei que a gente acredita na amizade,e não quero aqui fomentar o desejo de não crer,amigos existem sim,estão lá,nas suas ‘cavernas’,se você precisar,de verdade,eles vão arrumar um tempo pra te ouvir, eles vão sim querer te ajudar,mas aceita que já não é como antes.
aceita que algo mudou,que o seu amigo casou,que teve filhos.
Aceita que as pessoas escolhem as coisas,e consequência ou sequencia das coisas,nem sempre meu irmão, nem sempre deságuam em você.
Como disse alguém,e de certo, nada nessa vida é eterno, exceto mudança.
mude também.

Hugo Mendes Guimaraes

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Meu Pai,Nosso Pai.

Ele é um cara tão otimista que consegue fazer você acreditar que o sol vai abrir mesmo que o céu,preto,ventando e chuvoso te mostre o contrario. Ele ri,brinca,conta historia,te distrai,tudo para o que o tempo passe mais rápido e o sol,esse sim,venha a aparecer,pelo simples fato de que você tanto querer esse dia,e faz bem para ele vê-lo bem,com seu sol, que fará o seu dia melhor,esse cara, quer te ver sorrir.

E por falar em sorrisos, não é difícil,quando ele vê alguém,geralmente da família,meio com cara fechada,logo perguntar -Você já sorriu hoje? Você ri da forma como ele faz,assim,sem pretensão ,só mesmo pra querer alegrar seu dia.começa a contar historias,piadas antigas e repetidas,sim,as mesmas que ele conta há tanto tempo,mas com tanta vontade e sabor que você ri,pois ele consegue fazer as piadas repetidas,serem inéditas,é um dom gostoso. Paciente e otimista como quem ficaria a vida toda sentado numa pedra,a beira mar,esperando seu barco voltar para leva-lo pra casa,mesmo que tudo mostrasse que esse barco não viesse. era o otimismo das coisas,da vida,das pessoas,e que fazia esse cara simplesmente ACREDITAR, e ele passava isso a frente,em qualquer situação,ele sempre te acalmava com. -Vai ficar tudo bem, vi no seu horóscopo hoje. ou então das formas mais diversas -Deus ajuda quem cedo madruga,já ouviu a musica,Tu me sondas ? Senhor,sei que tu me sondas..

Tinha e tem o olhar às vezes cansado mas nunca ,nunca se deixava abater,não parava. Era pros filhos,pros netos,irmão,irmão...Ele sempre dava um jeito de fazer tudo, qualquer favor, ir a fila de banco pra resolver coisas ,,comprar remédio pra neta,sacar dinheiro no 24 horas,comprar fruta e folhas para um chá especial pra melhorar a dor de estomago da minha mãe,tirar Xerox e encadernar algo pra alguém estudar, pegar ficha de inscrição pra concurso da marinha pra sobrinha da amiga da vizinha fazer,era um faz tudo,e fazia com gosto. não era difícil vê-lo chegar em casa, numa terça feira a tarde, cheio de sacos de compras,um jornal embaixo do braço e metade de um pão Frances na boca,desfarelando na boca -opa, ta hora do cafezinho heim? Nunca falou coisas de forma agressiva,NUNCA, é suave sua forma de falar,de cantar,de contar piadas,de sorrir, de rir da sua infância sofrida,de elogiar sua mãe marinha,de ser um homem do bem e que,pasme, não conseguia aceitar ou acreditar no mal do mundo. achava mesmo que as pessoas eram boas, que no fundo todos assim eram,e por ser tão bom,sua alegria contagiava quem mal ,por ventura,quisesse fazer,e assim não quisesse fazer mais.

Volta e meia, meio assim do nada, você o ouve declamando poemas antigos, sozinho, como quem os declamava pra si próprio - Tal como a folha caída fecunda a terra no estio/Para fecundar a vida o trabalho se inventou/feliz quem pode orgulhoso dizer – nunca fui vadio , e se hoje sou venturoso,devo ao trabalho que sou. Criança tu nunca veras um pais como este, olha com grandeza a terra em que nascestes. olha que céu, que mar, que rios,que florestas, a natureza aqui perpetuamente em festa. Ai ria ele sozinho e dizia pra mim -Isso é Olavo Bilac Me tomava o gosto pela poesia sempre que o ouço assim declamar,ao vento,sozinho,sorrindo e sempre de forma indireta falava e fala muito ao meu coração. É com orgulho que ao passar pela ponte rio Niterói,todas às vezes, ele olhar la pra baixo,em direção à base e meio que se emocionar:

- Eu que planejei a elétrica disso tudo ai que você ta vendo, tenho essa planta guardada até hoje sabia? Tô há 30 anos pra devolver,mas tenho ate vergonha,será que eles vão me punir?Eu não podia ter levado isso pra casa – fala meio sorrindo-

E sempre rindo da mesma forma que ele sempre fala desse caso, e dessa capacidade de ser inédito, novo, cheio de novo gás. era no gás de suas historias de marinheiro que tudo nasce, a alegria de um conto vivo, ali,na hora,pronto pra ser contado,e eu, olhos abertos e ouvidos mais ainda,só fazia rir da sua invenção do telefone que tocava em sirene de alarme, e com lâmpadas do navio piscando ,para o almirante que era surdo conseguir saber que o telefone tocava,que alguém o chamava.



Por mais clichê que pareça , é com orgulho que falo que é mesmo meu ídolo,meu herói mesmo de todas as horas,de toda alegria, de toda angustia que ele me tira, é meu pai. é o cara que se preocupa com a inocência de seus filhos,como se essa inocência fosse eterna,como se não soubéssemos da maldade do mundo e ele,que já há tempo conhece os mares,os países,a vida,as línguas,que há tempos anda sozinho por esse mundo de água sem fim,pudesse,quisesse nos proteger. Como em suas historias de alto mar,no triangulo das bermudas,o navio passar batido,sem avisar a tripulação por onde estavam,ele fazia com a gente,sem nunca demonstrar o perigo que pudéssemos estar passando, nos distraía com sua alegria e simplicidade,e nos protegia sem que percebêssemos o que pelo momento acontecia. depois,como no navio,avisava

- Senhores, 2 horas atrás acabamos de atravessar o triangulo das bermudas,esta tudo bem,tudo na paz,tudo tranquilo nesse mar,belo mar selvagem. Volta e meia ele diz assim, com um olhar inquieto para algo estranho, sim, ele fala sozinho para quem perto estiver poder ouvir.

-Tudo que é calmo e perigoso, veja o mar, observe,da sua calma a sua revolta,da medo. Meu pai é o cara da alegria,da simplicidade,é o cara que não compra roupa,nem tênis,nem cinto,nem brinquedo caro pros netos,nem coisas muito chics,ele não gosta não. meu pai é o cara que carrega sacos de compras no ônibus,que faz baldeação pegando 5 ônibus pra chegar a município distante só pra não pagar passagem,que se suja todo chupando laranja e comendo melancia no meio da feira do bairro,que anda com as calças sujas,que compra pião e carrinhos antigos de madeira para as crianças.

É o cara que compra um conjunto de chave de fendas e ,quando te visita faz de conta esquecer na sua casa,mais tarde você descobre que era um presente pra você. Meu pai é o cara que canta musicas antigas sozinho e pergunta pra mim se consigo acha-las na internet.Meu pai é meu amigo mesmo,desses que são raros mesmo,e isso é um privilegio sem tamanho sabe?Ele é o cara que leva café da manha na cama pra minha mãe,ainda hoje,quando ela esta meio pra baixo,é o maluco que vai de ônibus no interior de duque de caxias,na fabrica da brastemp, achar e comprar a peça da galedadeira que dizem não mais vender,que é melhor trocar por uma nova.

-Olha ai Tião, a peça que não existe mais,pode trocar por favor,que essa maquina ai ainda vive uns 30 anos- com sorriso no rosto-

Meu pai é o cara que desenha uma Mao apertando um botão como um manual de instruções de “como apertar a descarga” e cola em cima do vaso,por estar sempre mexendo na válvula que escangalha e acreditar que só fica ruim pelo mau uso, e não pelos 40 anos que esse treco ali esta,desde que a casa foi construída.

Ele é o cara que enche a cozinha de comida,frutas,leite,pão,queijo,verduras e legumes. como se estivesse estocando pro ‘ fim do mundo’. Meu pai é o cara que chama seus filhos de ‘doutor’ e ‘doutora’, que sente orgulho no sobrenome Guimarães,e que acredita nas mais singelas formas do amor. meu pai é o cara que compra um calendário SEICHO-NO-IE todo ano, esses que tem uma frase,pensamento, pra cada dia sabe?e pendura na sala de jantar,sempre de pensamentos positivos,por falar nisso, a de hoje,dia 30 é:

-incontáveis talentos estão ocultos dentro de você.

Descobrir esses talentos é o que meu pai consegue fazer,despertar,fazer claro. meu pai é o cara que não gosta que soldado de ‘soco no sereno’ , vive a vida serena,poética e musical,meu pai é o cara que escreve o nome da minha mãe na polpa da réplica do barco que eu dei pra ele de presente e diz:

-É porque todo barco tem que ter um nome,nome de mulher,você sabia disso gudinho?ta ai o nome do meu JANETE ROSAS – RIO DE JANEIRO

meu pai irmão? Meu pai é o cara!Meu pai é “duca”,”ducar@l&###@@@”

quarta-feira, 28 de março de 2012

Palavras,ação e natureza



Rasguei foi aquele verbo estranho que me ligava
Ligação de nome, pessoa, situação.
Rasguei aquele lençol e queimei os antigos papéis
Sentei no chão e na vista do mar,que bela visão.

Andei quieto como uma voz que dava pra dentro
Bem aqui no peito se apertava como choro angustiado
GRITEI
Rasguei o verbo, a palavra, as cartas,as fotos,o boné velho
Toquei fogo em kilos de roupa antiga
Deitei no chão,com violão, fiz cantiga

No quintal abraçado a planta
agradeci aquele vento gostoso a me beijar
Os primeiros pingos d’gua a me lavar.
Tempo virou
Os trovões
A chuva forte
Limpava as ideias,
Apagava a fogueira que já era lenha
E secava,curiosamente, minhas lágrimas
Estranho alívio.
Arrepio
Pio
28-03-2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Quando voce pensa que ja te aconteceu de tudo...



Isso foi em uma sexta-feira, fim do dia, nascer da noite.
Entrei naquele ônibus executivo que me levaria da região dos lagos ao centro do rio de janeiro para visitar meus familiares.
Já acostumado, pelo menos duas vezes ao mês, durante 2 anos, fazia esse translado e já havia presenciado inúmeros casos,incidentes e problemas nesse período de 3 horas de um ponto a outro.
Mas nesse dia algo novo, inusitado, marcante me aguardaria nessa viagem.

Entrei no ônibus afoito, suando, atrasado, procurando minha poltrona, lá pra parte final do veiculo e, ao passar pelo corredor, já reparava em quase todos os acentos cheios, vozes de gringos, grupos de viagens, crianças.

-opa, boa noite, essa é a poltrona 42 senhor?

-é sim parceiro.

-certo, o meu lugar é ai – disse mostrando meu bilhete-

-há sim, certo,desculpe,pensei que não vinha ninguém – e foi passando pra poltrona ao lado-

-é,me atrasei um pouco.

Antes de me sentar acomodei a mochila na parte superior enquanto o ônibus já andava,tirei minha carteira lá de dentro,o celular, um pequeno livro e sentei.
Como de costume,mexi na parte de saída de ar condicionado direcionando-a para mim,dei umas goladas na minha água mineral e passei a camisa no meu rosto ainda suado.

Sabia que, por aquela hora, não conseguiria ler coisa alguma;crianças brincando,gritando,gringos conversando alto,rindo,gente mexendo em seus “tablets” com jogos em volume alto,um infeliz ouvindo “só pra contrariar” no seu celular sem fone de ouvido do meu lado...

-Paga R$42,00 conto pra andar nessa porra parece uma estufa de galinha, né não irmão?Calor dos infernos, pode nem abrir a janela -disse o senhor do meu lado -

-Pois é.Tempo que eu não pegava um assim, parece que estão mudando a frota, os novos gelam bastante, mas esse aqui...

-Porra, e sente o cheiro “Neguim”,pior que banheiro de “puteiro na roça”. E não porque a “agente ta” aqui atrás colado nele não, na hora que entrei já senti essa marola de merda lá da frente.

-é não é? Ta meio sinistro mesmo chefe.-disse enquanto tentava me acomodar jogando minha poltrona pra trás-





20 minutos decorridos de viagem, ouvi mais pra frente do ônibus um cara, de uns 30 anos, camisa amarela, boné preto, bermuda e chinelo, pedir pra trocar de lugar com a pessoa que estava do seu lado

- é... Só pra eu ficar no corredor, sabe como é né? Qualquer coisa já estou mais próximo do banheiro, tudo bem?

-Sem problemas,pode vir – disse o outro trocando de lugar com ele-

Sem fazer questão de entender, com bastante sono e o rosto secando de suor, ônibus com as luzes do interior apagadas, fui, levemente, sendo “abraçado” por aquele gostoso cochilo depois de um dia corrido, uma semana trabalhosa e uma tarde de sol.

- HEI MOÇO CUIDADO – ouvi de uma voz de criança aos gritos-

Quando abri os olhos,ainda no escuro do ônibus, reparei um vulto passando pelo corredor,do meu lado,mas antes algo liquido,quente,fedorento,com partículas trituradas escorria pelo meu rosto e impossibilitava a abertura completa dos meus olhos.
Passando a manga da minha camisa no rosto enquanto sentia o mesmo liquido no peito,barriga e pernas.
Quando me dei conta

-Não acredito.Isso não é real, vomitaram em mim?

Segundos para a “ficha cair”, mas nem precisaram muitos, as crianças me ajudaram

-“o moço ta vomitado, o moço ta vomitado, o moço ta vomitado” – um lindo coro se fazia-

Quando pude, finalmente abrir os olhos, voltei a fechá-los, dessa vez, num momento de reflexão, oração, falando comigo mesmo e com Deus.

-Pai, por quê? Porque isso?O que fiz? Que humilhação senhor.

Abri os olhos, o coroa do meu lado tapando seu nariz com os dedos em forma de ‘pregador’, a luz do ônibus já acesa, o corredor cheio de vômito, minhas pernas, camisa e rosto também, o cabelo de uma menina de uns 8 anos também tivera sido presenteada com os perdigotos do estômago do rapaz e aquele suco gástrico infeliz começava a esfriar e secar na minha roupa.
A porta do banheiro se abre,sai de lá o carinha de camisa amarela,30 anos,bermuda e chinelo.

-Me perdoa gente, Jesus, que vergonha, me desculpem mesmo,não foi maldade ,não consegui segurar,sabia que aquele salgadinho não estava bom,meu Deus..




-“Pó parar”, Jesus não tem Nada com isso, Salgadinho é o #$#@$@##$$%%% seu $#$#$@#$%$ , isso é cachaça e “das pitu” que “ocês enche o rabo” ai nessa cidade. Olha o que você fez no cabelo da minha neta? - disse nervosa a senhora tentando mostrar o cabelo da criança naquela situação-

-me perdoa, eu pago isso ai, eu resolvo senhora – disse ele com o rosto roxo de vergonha enquanto eu falava:

-Da licença ai parceiro, me deixa entrar no banheiro.

-Porra Grande, me desculpa mesmo, pegou legal em você né?

-há pegou, é, pegou, só faltou seu fígado e a bile na minha cara, de resto...

Me tranquei no banheiro enquanto,em som abafado, ouvia lá fora a coroa ainda discutindo com o cara, e naquele espaço de 1 metro quadrado,troquei toda minha roupa,enrolei a suja, a aprendi com meu cinto,sem antes não bater com a cabeça no espelho,me desequilibrar várias vezes e dar uma forte cotovelada no que se chama de pia.Lavei o rosto,passei desodorante no corpo todo,e ao abrir a porta do banheiro, fui apertando aquele spray aos 4 ventos, tentando amenizar o cheiro desagradável no ar.
Percebi que havia dois lugares livres onde antes tinha um casal com um bebe e, como estava mais afastado da “área de vômito”,pensei em sentar por ali,para sofrer menos no restante da viagem.

-opa moça, tinha um casal aqui né?

-tinha sim, acabaram de descer ai em tanguá.

-há beleza, vou trocar de lugar então, obrigado.

Troquei minha mochila de posição e ali sentei enquanto observava a coroa jogando e escovando com coca-cola o cabelo da menina com a porta do banheiro aberta.

-Isso arranca até mancha, é melhor lavar com isso do que ficar com vomito menina, para de chorar, PARA DE CHORAR- gritava-

Comecei a sentir um estranho tremor na minha perna, na bunda, algo vibrava.

-Porra que isso agora cara? – pensei-

Cheguei pro lado, levantei e vi um celular.

-Não acredito, achei um celular, não da pra reclamar de tudo nessa vida. Não acho nem moeda no chão parceiro...

Quando peguei o aparelho...
- 18 chamadas não atendidas.


Fui virando o aparelho, observando a marca, modelo e o bicho não parava de tocar, pensei:
- desligo ou atendo? Se eu que tivesse perdido, duvido que nego atenderia ,o que eu faço?

Nessa crise moral decidi atender

-Alô

-Graças a DEUS, JESUS te abençoa irmão, você, sua vida, da sua família. Irmão, eu sou pedreiro, “to numa obra em búzios”, tava com minha mulher e meu menino ai,” se “isqueci o celular quano descemo” aqui rapa.

-“guenta ai parceiro”fala devagar.É,eu vi a peça,ta aqui comigo.

- Graças a Deus, você é um homem bom, “Deus te ilumina”, te ajude, te agradeço muito

-Beleza, obrigado, tranqüilo, vou deixar aqui com o motorista então, você pega depois no guichê da 1001 na rodoviária,fica melhor né?

-Fica sim,não tenho nem o da passagem pra ir pegar isso hoje,muito obrigado moço,”Deus te abençoa muito ta?” O senhor tava perto da gente ai né?

-é, eu sou o cara que foi vomitado pô,você deve lembrar né?

-MISERICORDIA JESUS, “CRARU QUE LEMBRO, CRARU” a gente viu tudo. Minha mulher ta rindo aqui e tudo.

-há ta certo,acharam graça né? Ta rindo né?

-é rapa, foi engraçado ! “negocio de filme né?”

-Engraçado é eu estar sendo zoado pelo camarada que eu acabei de achar o celular e estar disposto a devolve-lo ainda, isso é que engraçado,eu devo ser muito trouxa mesmo.

- IRMAO, JESUS “TE ABENCOA”,TE GUARDA ,VOCE, SUA FAMILIA,SUA VIDA.DEIXA COM O MOTORISTA PRA MIM,ISSO é TELEFONE DE TRABALHO, O SENHOR tem coração bom.-disse em tom de oração-

-há ta beleza então senhor,deixo aqui com o motorista,fica tranqüilo.

- Vou orar pra tudo dar certo pro senhor ta?”Pra essas coisa ruim” não acontecer mais.

- há, obrigado, seria bom mesmo isso.

-“Essas coisa ruim parar de acontecer né moço?”

-É, só de pararem de vomitar na minha cara eu juro que já estaria ótimo, já agradeceria muito o senhor, a Deus, a sua oração.

-Deus te guarda irmão, obrigado.
-valeu.

Levantei e fui em direção ao motorista, duas senhoras nos primeiros bancos começaram a bater palmas.

- Parabéns moço, parabéns, louvável sua ação, vai devolver o celular né?

-é...é...fazer o que?

-Nossa, tem gente honesta nesse mundo né Neuza? – disse uma pra outra-

-E gente azarada tambem né tia ?- disse eu rindo bolado-

-há meu filho, essas coisas acontecem...

-Ué ,já vomitaram na cara da senhora também?

-PUTA QUIU PARIU, SE FAZ ISSO COMIGO EU MATO O FILHO DA PUTA – lembrava Derci Gonçalves falando-

-só comigo mesmo.
-ham?
-Nada não senhora.Eu sou um idiota mesmo.
-Né não filho,rapaz bom,pouco calmo demais né?mas bom mesmo.
-Há..vai tomar no #$$#@$#$$# também porra.
-COMO é QUE É????????????????????????
Pronto, só falta eu apanhar de uma velha com guarda chuva agora.