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domingo, 26 de dezembro de 2010

Habitos...

tem gente na foto que nao quis sair rs rs

E de repente se decidir emagrecer. não como todo as vezes anteriores,mas dessa vez tentando mudar o que realmente era a raiz do problema.dessa vez analisando da forma ‘do todo’ e praticando a mudança,de fato, dos hábitos,esses sim, que mantinham ou aumentavam o peso.
Começaria então a pensar no sistema rodando ao inverso, e como diria meu pai , “é pela boca que entra o que engrandece ou diminui o ser’ ( em todos os aspectos mais filosóficos ou corporais que isso possa representar).
O habito, bem ai a palavra que a tanto me fazia questionar, analisar,suspeitar...
Era pela boca que começa a mudança do habito, a mudança do que se bebia,do que se comia,era a entrada que dizia como todo o corpo iria trabalhar. ( numa visão holística do funcionamento digestivo,que se inicia na própria boca), o mastigar.
Mastigar lento como quem não tem pressa de saciar a fome sempre fora o mais difícil, uma vez que a ansiedade, de assim matá-la, fazia mastigar menos e engolir mais.
E como dizia também Roberto lima, “estomago não tem dentes”
Tudo começara, então, ali,-primeiro no que entra pela boca-, depois pela quantidade de vezes que mastigasse, em seguida, a não,habitual, mistura de liquido com o solido.
Como, de cara, era complicado comer algo sem, senão o perdão da palavra, o vicio de beber algo junto, no intuito automático de facilitar o momento de se saciar. .
Passado esse processo, do habito do que ‘entra pela boca’ , e como ‘ é mastigado’, entra a simples formula “queime mais energia do que ingira”,lógico ,porem não simples.
Pode-se diminuir a quantidade de alimentos calóricos, mas que, também não ira muito ajudar, se não ‘queimar’ mais do que ingere.
e no que cerne a atual corrida e “stressante” da vida que muitos levam, cadê o tempo para tal?
Onde encontrar,senão com muito esforço e dor, TEMPO, para praticar algo que,de fato,já não te é atraente por si só ( como academia,muscucalçao,natação...quando não se tem esse habito?)
Depois de muito ter tentado,todos esses métodos, no “inverso do funcionamento”,tentei usar, juntar,fundir.
Causei “um problema” para forçar “uma solução”.
Vender o carro.E automaticamente danar a andar,andar e pedalar.- sim pedalar-
Já fazia um bom tempo que não sentia esse ótimo gosto de pedalar, livre,com a mesma sensação de quem sabe o que é pilotar uma moto, fazia tempo que não sentia esses ares.
Então sem carro,numa cidade onde o transporte publico não é lá essas coisas,uma cidade relativamente pequena( uma localização privilegiada, do trabalho e casa),comprar uma bike e ir pro trabalho,pro mercado,pro armazém,pra padaria, pro centro,pro banco,pedalando e suando,é algo que já me faz tão bem, que faz falta quando aqui não estou e não posso usufruir.Junta-se ai a “fome com a vontade de comer”, ou seria “ a fome com vontade de emagrecer”-
Mudar o habito, habituando-se a pedalar ao invés de sentar e dirigir, (no meu caso não tenho outra escolha) habituando-se a comer menos e mais vezes, a mastigar e não engolir,habituando-se a não tem pressa, a dar prioridade a comida, do que lanche,a frutas do que salgados,ta ai a palavra , o habito,mudar o habito de tanto tempo e que com o próprio tempo só me fazia mal.
E sente-se assim,sem balança,a mudança no funcionamento do corpo,na cor da pela,na disposição pro dia,na imunidade fortalecida,na auto estima mais agradecida,no corpo mais leve, na menos pressão,no menos cansaço,nos hábitos mudados,no prolongar singelo do olhar a vida,sente-se bem,sente-se feliz.
Ao contrario de uma DIETA(com tempo pré definido) e pra não entrar no clichê “reeducação alimentar” ,o quem tenho tentado fazer(sem indicação de especialistas) é simplesmente mudar o habito,fugir do ócio,criar o problema pra resultar na queima da(s) caloria(s) e,de quebra,a solução pro bem estar, que chega no físico,mental e social sem muita dor ou sendo algo enfadonho.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Micaretas



-E aí, cara? Fechou Ivete, Domingo? Já ta no 3º lote, tem que comprar logo.
Depois de recorrentes perguntas sobre meu interesse em ir a diversas micaretas que vinham acontecendo, embora eu nunca tenha ido a uma dessas e demonstrado qualquer interesse, peguei-me a questionar se esse agrupamento de jovens com camisetas coloridas e iguais, para beijos gratuitos ao embalo de música baiana, seria uma grande ‘virose’ do tipo:- se você ainda não pegou, vai pegar ou algo do gênero.
Respondendo a pergunta a cima, disse ao colega de faculdade.
-Não cara, não vou não, na verdade não tenho a mínima vontade de ir nesse lance.
E ele argumentou dizendo das inúmeras pessoas que poderiam ser beijadas, do pula pula, a corda do siri ou do caranguejo e do fantástico trio elétrico em movimento, das lindas músicas de bola de sabão e que levantam a poeira.
Já não de hoje que, navegando distraído na internet, vejo muitos sites, flogs, fotologs mostrando imagens de pessoas em inúmeras festas desse tipo, todos lindinhos, ‘iguaizinhos’ sorridentes, felizes e beijoqueiros.
Com certeza você conhece alguém que já foi a uma dessas, um vizinho, colega, tio, filho da amiga, está se igualando ao desemprego, a gente está à beira disso, sempre conhece alguém que foi ou que vai.
Lembro-me da época que esse tipo de manifestação era restrito ao carnaval baiano, dos famosos trios do pelourinho e farol da barra, onde creio, seria válido, dentro do contexto ‘festa da carne’ toda essa gratuidade de ‘pegação’, zoação,liberdade,bebedeira (teoricamente) exclusivos desse período.
Mas a coisa se expandiu, veio para diversos, senão todos, os estados do Brasil, em todos os cantos, todo final de semana, não importa em qual época do ano, lá está a massa reunida novamente, sem cansar, pulando novamente, sobrepondo até mesmo as festas regionais, de quadrilhas a exposições agropecuárias e rodeios.
De janeiro a janeiro esse tipo de evento acontece com suas repetitivas bandas para no final a galera contabilizar as cantadas, as bocas beijadas, fazendo o balanço desse pseudo-investimento.
Aaahhh, sim, sem não contar no valor pago, ou investido?Bom..., Quanto antes comprar melhor, começando por míseros 50 reais que aumentam gradativamente, na hora então? Parece final de campeonato brasileiro, cambistas fazem a festa para lhe vender essa ‘camiseta-ingresso’, que depois vira camiseta mesmo, enfim, tem que mostrar que foi, conferiu e zoou, e não perderia um show desses (embora no mês seguinte o mesmo grupo se apresente, ate mais próximo de sua residência), e o que adianta viver sem divulgar que viveu?
Estava pensando, até em contrapartida a esses chatos convites, fazer um ‘abadá’ com um misto de imagens dessas bandas, num efeito onde elas fossem uma só, e uma singela frase, assim como do Rock in Rio: ?? MICARETAS, eu não fui?? - e nem quero ir, pois diferente da galera ‘eclética’, eu gosto de algumas coisas e não gosto, definitivamente, de outras tantas.
Falar em Rock in Rio, um evento desses por ano seria de bom tom a nós, ‘os que nunca foram a micaretas’.
18-06-2006

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rapaz sumido



Rapaz,to fabricando um saco de sabedoria
Cheio de pimenta ,toicinho e rima
To fazendo uma fogueira de juízo
Cheia de dor e lagrimas de crocodilo

To fazendo um livro cheio de intrigas
Comendo chiclete com poesia
Abrindo caminhos que por mim caminhas
No’ sem com’
Sentido das poesias declaradas e postuladas

To fazendo uma musica sem tom e sem nota
Virada na melodia suada,degustada,olhada
To cheio de som
Com
Para a ação que eu canto sem medida e noção

Rapaz, to fazendo uma salada com cebola e agrião
Cheia de doçura e imaginação
To meio sal
Gado da vida não tem
Mas faço com carinho, cheio de labuta e sem glutem

Rapaz,
To fazendo
Amem

25-06-09

Meu primeiro Violão



MEU PRIMEIRO VIOLAO
- Fala irmão, aí... Tu toca violão há quanto tempo? Aprendeu sozinho?
Disse o rapaz numa festa que eu estava com meu instrumento no colo, dia desses, enquanto saboreava uma cerveja gelada no intervalo de uma canção e outra.
E nesse momento passou-me como filme na cabeça, mais uma vez, minha adolescência na praça perto de casa, no banco, à noite, os amigos, conversas, amores, paixões, madrugada adentro, primeiros porres de vinho (daqueles garrafões de 5 litros), muita música, ventos frios do meio de ano, poesias avulsas gravadas num daqueles pequenos gravadores, de fitas menores ainda, - como lembro disso tudo-.
Das paixões platônicas, das descobertas, dos papos filosóficos, do que queríamos ser, fazer, como desejaríamos estar com a idade que agora temos, engraçado escrever isso hoje e pensar que o tempo passou.
Lembro-me que trocávamos qualquer discoteca, festa, shows por aquela praça numa sexta à noite. Todos se arrumavam e se encontravam naquele especifico banco, o “ratátá” pra comprar o vinho, os violões, as bicicletas encostadas, as meninas, os meninos, uns sentados no banco, outros no ferro que envolvia um retângulo no chão e servia também de banco (até hoje não sei pra que servia aquilo, senão pra sentar e apoiar pedal de bicicleta).
As primeiras madrugadas que passamos acordados noite adentro, choros, gargalhadas, brincadeiras, beijos, e também meus primeiros acordes no violão.
- Coé cara, me ensina a tocar violão aí.
E o mais velho do grupo:
- Pô, é que meu violão é pra canhoto, ‘ arruma’ um que eu te dou uns toques.
E voltou ele a tocar, fixado os olhos na menina que ele gostava enquanto essa conversava com outro.
Época meio complicada pra nós, sem dinheiro, adolescentes, sem saber o que fazer, curso pré-vestibular, nervos a flor da pele, pressão dos pais...
- Só quer saber de ficar nessa porra de praça enxugando a garrafa de vinho? Sai disso meu filho que isso é ‘rabo de foguete’ (dizia meu pai)
Mas foi a ele mesmo que pedi, no alto dos meus 17 anos, meu primeiro violão.
- Pô, Gudo (apelido de meu pai), queria aprender a tocar violão.
- É bom, e por que não aprende?
- É que tenho que ter o instrumento. o canguru , namorado da minha irmã, que é musico, me disse isso, disse que ate me ensina, mas só quando eu tiver o meu.
Meu pai com aquele olhar de quem pensa, -‘sobrou pra mim’
-Meu filho, eu tô tão duro e numa maré tão ruim, que se eu montar um circo, o anão cresce (lembro-me, claramente, dessas palavras).
Fiquei meio desanimado, continuamos a conversar e ele me contou das dívidas, das contas do mês, do meu curso pré-vestibular etc.. Etc...Etc... , mas no final comentou:
- A não ser que você queira ir à feira comigo no domingo, lá em Areia Branca...
De repente a gente arruma um violão barato lá pra você, o que acha?
Não pensei duas vezes e domingo ensolarado pegamos o famoso ônibus São Jorge para a feira, lá chegando vi de tudo, barracas de cd, lingüiça, cordões, camisas, banana, relógios, fios, conectores, gente vendendo cachorro, gato, trocando passarinho, vídeo game, peças de carro espalhadas pelas lonas no chão, barracas de caldo de cana com pastel.
- é 1 real, é 1 real
Aquela ‘muvuca’, gente de tudo que é tipo e tamanho, com seus pertences na mão para trocar e vender, era tanta coisa que eu me vi impressionado, me perdi do meu pai e minutos depois pude avistá-lo numa barraca de laranja mordendo a fruta com casca e tudo e chupando:
- essa tá boa Zé, tá quanto?
- R$3,00 a dúzia, chefe.
- E pra quem tá ‘rezando pra chover’ sai a quanto?
- Sr. é fogo (disse rindo), dá R$2,00 aí na dúzia
- Safo. Coloca duas dúzias então e me dá essa banana também que tá com a cara boa.
Encheu a bolsa, me aproximei dele:
- toma aí gudinho, leva pra mim!
Fui andando com aquela bolsa pendurada nas costas no meio do povo, meu pai parando em tudo que era barraca já me deixava nervoso:
- Fala ai camarada, quanto ta essa chave de ‘grifa’?
-‘4 conto’, chefia
- Não, mas eu queria uma só (disse no tom irônico)...
- Menos de R$2,00 eu não faço não
- Tá safo. Dá pra cá. Faz a de fenda por R$1,00? Te dou R$3,00 aqui, fechado?
- Tranqüilo, segura aí.
Colocou as ferramentas na bolsa junto às frutas e continuamos a andar quando ele gritou lá da frente.
- Hugo, tem um violão aqui.
Apressei-me empurrando o povo e cheguei rápido até lona do senhor espalhada no chão com algumas pecas de vídeo game, fitas, fios, uma guitarra quebrada e um violão velho com duas cordas arrebentadas.
E meu pai disse:
- ‘Tá pra quanto esse violão’?
- R$40,00 chefe. Só colocar as cordas!
Peguei o violão e o vi aranhado, meio quebrado, velho, duro, desafinado, mas lembrei-me de que alguém tivera me ensinado a ver se o braço desse instrumento estava empenado, que era o mais importante,e pude perceber que não estava, fiz cara de quem entendia e disse:
- R$40,00? Dá não moço, ‘brigadão’, é que ele está todo empenado, dá nem pra tocar. Isso ai serve só pra lenha de fogueira.
Meu pai me olhou com aquela cara de quem diz:
- E tu lá entende de violão?
O vendedor então disse
- Faz o seguinte, me dá R$20,00 nele e tu conserta isso aí!
Meu pai se meteu e disse
- É que a gente só tem R$10,00... Senão a gente volta andando pra casa.
- Dá R$15,00 e ‘morreu’ a parada
Demos o dinheiro a ele, segurei o violão com a mão esquerda, com a direita a sacola, e fomos andando enquanto meu pai dizia:
- Mas como você vai fazer pra tocar com isso ai ruim?
- Tá ruim não cara, só colocar as cordas, meti um ‘caô’ pro cara.
- Como é que você faz um negócio desse, rapa? Tá aprendendo isso com quem?
Olhei pra ele sorrindo e disse
- Com ninguém não, pai... Com ninguém não(tu diz que a laranja dos outros é azeda pra comprar mais barato, e ta falando que eu que ‘manobro’ errado rs
E assim adquiri meu primeiro violão, duro, de cordas de aço que acabaram com as pontas do meu dedo, mas não me deixaram desistir. Revistinhas de cifras, dedilhados, e a perturbação com os amigos para me ensinarem alguma música fácil, até o dia que consegui tocar ?Que país é esse??, e nunca mais parei. Aprendi com o pior violão que tinha, com maior dificuldade, mas insisti até conseguir.
- Ou, irmão? Tá doidão? Só, te perguntei como tu aprendeu essa parada, se tem muito tempo...
Achei maneiro, teu violão é show de bola também, fica bolado não. Tá ?quietão? aí depois que perguntei a parada.
Sorri, olhei para o cara e disse:
- É que é uma longa história - disse rindo - enquanto começava a tocar outra música.
HUGO MENDES
03-03-07

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Deveres

Deveria ou poderia largar tudo e danar a escrever
Pela manha,pela noite,madrugada a dentro por filhos de escritas para fora
Deveria
Deveria abandonar a antiga profissão,ganhar um cão,começar a fazer pao
Deveria...
Deveria ter surtos de loucura e coragem, sair pelo mundo sem tento ou dosagem
Apenas caminhar para o novo sem medo do chão firme e seguro do passado ter ficado pra traz
Deveria ser valente,mais contente,amigo,ardente
Deveria...
Deveria por pontos nos is,brincar com saguis,acreditar em sacis
Deveria ter uma pequena orta,fazer yoga,me alimentar melhor
Deveria desatar os nos das angustias que parecem cegos,evocar todos meus ecos para o novo viver
Deveria...
Deveria brincar de olhar estrelas,sonhar com sereias,contemplar o mar
Deveria tanta coisa, hoje e sempre, ver tanta gente que me distanciei
Deveria,poderia,faria,seria,quem sabe um dia?
Conjugaria a minha melhor forma de verbalizar.
Conseguiria?

Circulação de Dinheiro


Circulação de Dinheiro
Fora uma novidade pra mim.Eu havia então acabado de comprar um terreno com vista distante para o mar,não menos bela pela distancia, pois era lindo o sol nascendo por trás do morro,ao lado do mar.
Conversava então com um empreiteiro de obra.Rapaz de uns 40 anos,mulato,mineiro e que terminava uma construção ao lado do meu terreno.Com sotaque bem carregado de sua terra e após me fazer um orçamento da obra que eu pensava o mesmo disse:
- "Sô, ce "sabia que não fica caro não né?
- é...pra quem ta duro, fica puxado "né dr"?
Foi quando o rapaz me olhou e começou um discurso um tanto quando,de inicio, viajante,mas que no final fazia sentido.Começou ele a dizer:
-“ói sô”, hoje em dia esse dinheiro não é nada sabia?o dinheiro na verdade não existe né?”num” é “verdade” ?
- não existe ? e o que você esta me cobrando o que é ? milho pra pipoca?
-"inté que pudia" ser milho,por que no fundo “um cado” dele vai virar isso,caso chegue a minha mão.
-não entendi não mineiro.
- “ó só “, o dinheiro na verdade “nós não tem” ele “passa por nós”, ele não tem dono não sô.pensa que é o seguinte,como que você comprou esse terreno?de onde veio esse dinheiro?
-não isso ai é que eu vendi uma casa onde eu morava e guardei.
-e a pessoa que te comprou faz o q?
- sei lá, acho que tem uma padaria.
-pois então sô..o dinheiro chegou nele do povo que compra pão,povo ‘ingual’ eu e tu. Leite,pão,milho de pipoca né?- falou sorrindo-
“in depois” ele “afoi” ajuntando esse dinheiro, “ajuntando” e te comprou a casa.
- é..comprou
- daí o dinheiro ficou na Mao do senhor e senhor fez o q?
-comprei umas coisas e no fim esse terreno,agora to duro.
-pois então sô.o senhor agora "trabaia", e junta(ganhando de alguém) e vai pagando a obra e eu "vo" recebendo,gastando e pagando "os piao ", e os "piao vao gastanto",comprando pão leite e milho e "tumando" cachaça,e "o home "da padaria vai vendendo,juntando e gastando com outras coisas."inté" que assim vai.”dé mole” o dinheiro volta "inté "pra sua mão, é coisa de doido – disse rindo-
-é.. faz sentido,é a famosa mágica da circulação do dinheiro.
-ô sô, não sei se é mágica não mas que o diabo do dinheiro some,"haaa" isso some. E não adianta "ocÊ "ficar guardando ele pra vida toda né?por que um dia nós morre, fica ele La no banco,e passa pra “famiia” que vai e torna a gastar,não tem jeito né?
-é rapaz , é verdade mesmo
-“intaumse”,quando que começo na obra?
-depois dessa aula de circulação de dinheiro?pode começar amanhã.
-ta certo, e o senhor paga quando?
-tranqüilo, assim que alguém passar pra mim.eu receber meu salário,pra frente a gente vê.O importante é o dinheiro circular.
-é sim sô,mas o senhor não tem nada?
-ué,mas foi quando o papo começou rapa, eu tô duro "alexandre pires" da regiao dos lagos.
-Mas é “qui,qui”, é “qui”
-“qui qui qui” não mineiro,vai roer a corda? Pega a obra ai,eu recebendo eu vou te passando
-é..
-então fechou bonito.- disse eu sorrindo apertando sua mão-
-é , nós vai se "acertano"..- disse ele bolado-
-a não ser que você aceite um rolinho...
- sô..como que é isso?
Depois dessa singela pergunta do mineiro, já joguei um celular de 2 chips com câmera de 5 mega + cartão de memória na mão dele, uma pulseira de ouro de 6 gramas de ouro e disse
- é assim mineiro, segura isso de entrada, mais esses dois chequinhos e pra frente “nóis se acerta”, e viva a circulação de dinheiro e o “jeitinho brasileiro”
Meio incabulado, colocando a pulseira no pulso,futucando o celular foi indo embora dizendo;
- amanha 7 horas "nóis ta ai"
-até
-inté

Hugo Mendes

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A CHEGADA AO RIO


A CHEGADA AO RIO


Ainda por volta de 14 horas e 30 minutos o ônibus executivo, de ar refrigerado e cheirando a novo chegava à rodoviária Novo Rio vindo diretamente da região dos lagos.
Da grande janela eu avistava um domingo ensolarado nas ruas, os vendedores com seus tonéis de bebida correndo entre os carros, a fumaça dos caminhões, o velho sujo sentado abaixo da escrita “GENTILEZA GERA GENTILEZA”,e eu a pensar
-será que gera? O Rio de Janeiro continua lindo?
O ônibus vira para finalmente chegarmos ao desembarque, tiro de cima de mim a coberta, o saco de biscoito e a água mineral. O ônibus para, todos se levantam, arrumam seus pertences e descem.Ando calmamente pelo corredor e chego próximo à porta, assim que coloco meus pés no chão sinto aquele” bafo quente”, que me dá as boas vindas.
O calor, a gritaria, o corre-corre, as mochilas, as bolsas de viagem, sai pela esquerda no meio da confusão do passageiro que não encontrava sua mala e fui caminhando com minha pequena mochila nas costas, óculos escuros embaçado pelo suor que meu rosto produzia, e assim fui por dentre o povo cortando o interior da rodoviária para -então sim-aguardar o ônibus que me levaria a minha residência, do outro lado da pista sentido zona norte.
Atravessei a passarela e ao chegar do outro lado senti minhas costas molhadas pelo suor, as axilas, o rosto, o peito, os braços...
Tirei os óculos escuros, passei a blusa no rosto e continuei a caminhar.
Paralelo ao Cais do porto aquele povo todo aguardava suas conduções dividindo espaço com as barracas de doce e biscoito.
Esperei alguns minutos e uma van -que também me servia - passou, não pensei duas vezes e fiz sinal.
Transporte coletivo secundário vazio, eu e mais uma senhora - bem acima do peso - que estava ensopada de suor, ofegante, respiração acelerada pediu ao motorista pra abrir as janelas. Esse com uma cara de quem comeu e não gostou, começou falando sozinho e terminou a ela:
- Brincadeira “heim”,assim é difícil... Só abrir, a senhora não tem mão não?

Eu ali sentado ,ao lado oposto do motorista na última fila de bancos, me levantei e abri as janelas enquanto a senhora exaltada dizia com sotaque nordestino:
- Vá pro inferno seu capeta, nem pra abrir uma janela?Tenho “astrite” e artrose seu sem vergonha,pense em homem ignorante?”vixi”.
O motorista fez que não ouviu e continuou a dirigir naquele lento “cata-cata” de gente nos pontos, a cada 300 metros ele diminuía a velocidade, piscava o farol algumas vezes, e outras parava para pegar mais passageiros.
Quieto eu observa as ruas pela janela suja da condução, as pessoas correndo, os ônibus lotados, os vendedores, as famílias vindo da praia, o vendedor de churrasquinho, as dezenas de barracas de açaí, suco, x - tudo, lingüiça, bebidas, bucho, camarão, etc.

Avenida Brasil de grandes buracos e deformações no asfalto, ao lado dos pontos a sujeira que tomava conta de sacos de lixo, copos de açaí a pneus de caminhão estourados, no lento percurso, outra parada, mais passageiros entrando, mais calor, o vendedor se aproxima, tiro um real do bolso e compro uma água mineral.
Continuo observando a pista, os grandes galpões vazios, à venda, alugando, uns queimados outros abandonados, os barracos a beira da estrada, as favelas, o valão, o funk carioca tocando em frente à casa de borracharia, as vielas, a sujeira, o cavalo magro, um ou dois colchões queimados fechando uma rua, crianças sujas correndo sem roupa, o cachorro atropelado, as senhoras fazendo churrasco na laje e se esbaldando com água da mangueira ao som do bom e velho pagode “...deixo a vida me levar,vida leva eu...”

De repente me flagrei a pensar em tudo isso, e assim me passava, -como um filme na mente-, essas palavras que, juntas, formam esse encadear de idéias que agora escrevo.
Pensamentos que ali tive, naquele trajeto até minha casa, comparei - ainda que inconscientemente - ao lugar de onde eu acabara de chegar, daquele vento gostoso que passa o dia inteiro pelas ruas, daquele cheiro de mato, o cercado por montanhas verdes, as ruas limpas, uma cidade tranqüila onde os moradores estão mais preocupados com as construções ilegais em área ambiental do que com o “Zé bob” que se deu mal na novela das 8h.
Uma cidade que ainda se encontra longe do caos da violência dos grandes centros urbanos, cercada de lindas praias, um ambiente gostoso de se viver aonde, ainda, se pode caminhar tranqüilo, correr, andar de bicicleta e pouco ouvir ou ver de assassinatos, crimes bárbaros e estórias tristes de violência. É pensar em andar tranqüilo pelo seu bairro sem medo de ser encontrado por uma bala perdida.
Perdido -dentro de meus pensamentos-, não reparei que a van já estivera cheia e que um senhor estava na minha frente, de cara feia, falava
- Da licença aí grande, “deixa eu” chegar ai.
Disse acanhado
- Opa, foi mal “mais velho”, vê se da pra passar!
Encolhi-me, levantei as pernas jogando-as pro lado direito, ele passou, sentou e disse:
- Calor é esse “neguim”? ninguém “guenta” isso não, ainda bem que hoje tem jogo do “mengão”.

Não entendi bem a colocação dele, muito menos o fato do jogo de futebol minimizar a alta temperatura, mas concordei:
- É verdade!
Depois pensei comigo em silêncio,
-Deve ser por que com o jogo de futebol ele tenha um motivo pra beber, cerveja é gelada, refresca...
Enfim, pensamentos abstratos à parte voltei a pensar na vida, no passeio, no rio e principalmente no que quero pra mim, pra minha vida e meu futuro ao lado de uma senhora que goste de dançar comigo, que ria das nossas graças e me faça feliz. Pensei a que me proponho nessa vida, se não escolhi nascer, posso escolher por onde andar, onde envelhecer, e sobre tudo onde e com quem ter uma vida saudável e tranqüila.
E tive a nítida certeza que onde vivo hoje não é mais o lugar saudável e tranqüilo que meus pais viveram há 40 anos atrás -embora seja o mesmo-
E esse, daqui a mais um tempo, não será mais o que hoje representa, como dizia o pensador “Nenhum homem entra duas vezes no mesmo rio.” E meu “rio” não era mais o mesmo.
Olhei pro lado e percebi que já estava em cima do meu ponto, e nem vi chegar, gritei pro motorista que ouvia um som sertanejo.
- “OPA MOTORISTA”,vou ficar no próximo ai, em frente à antiga loja de carros.
Ele olhou pra trás
- Já é irmão! É nós!
Eu
- Valeu, “brigadão”, quanto é?
- “4,00 conto”, fiel
- Beleza, segura aí.
- “É nós”, fica com Deus “na disciplina” meu “peixe”
Coloquei a mochila nas costas, fui andando, e pensando sobre gírias, mas isso é “papo pra outro desenrolo”.




HUGO MENDES GUIMARÃES

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Queimada

Era uma quarta feira de muito sol em um pequeno bairro do interior da Região dos Lagos - no Rio de Janeiro. Sem asfalto, sem muita infraestrutura, mas com seu lado romântico, bonito, com vista distante para o mar, entre morros e com cheiro de mata.
Lá chegava eu para visitar meus pais que, já aposentados, volta e meia, ficavam ‘na casa de campo’ por alguns vários dias, para fugirem da loucura dos grandes centros urbanos em que viviam.
Fazia 15 dias que não os via, e como viajara para aqueles lados, não custava nada “adentrar o mato”, visitá-los, comer a famigerada “comida da mamãe” e rir um pouco da histórias de meu pai.
Lá chegando já buzinava, na rua de barro, poucas casas (quatro pra ser mais exato), sendo uma de meus pais. Muitas árvores, vento gostoso e no final, bem no alto, meu pai aparecia acenando e dizendo:
- A porteira tá aberta (todo orgulhoso do portão de entrada que ele mesmo fizera)!
Entrei, os abracei, bebi água, deitei-me na rede da varanda (que delícia!) e fiquei a observar o pasto bastante seco e amarelado.
- Engraçado, né, pai? Aqui tem é muita terra, pouca casa, árvore pra tudo que é canto né?
- Sente o ar meu filho, respira fundo. Ôôô, coisa boa né? Isso aqui é remédio pra qualquer doença que a criatura pode ter, né não?
- É sim. Aqui tem poucos vizinhos? Vocês não têm medo?
- Tenho medo da colméia inchada de abelhas e com uma rainha mal encarada, que apareceu aí e um “time de marimbondos” que estão cercando o quintal – falava aos risos.
A casa do vizinho mais próximo (à frente) ficava a uns 70 metros de distância e como o mesmo tivera ido embora, deixou o irmão tomando conta com seus filhos e esposa.
- Gudo (como chamo meu pai), quem são aqueles ali em baixo?
- Esse ai é o “mondrongão” e os filhos dele, ”mondrongão” é irmão de Hélio, dono da casa.
- Hum, entendi.
- Espia lá, estão indo à praia de novo e largam as duas crianças aí sozinhas, as coitadas não têm nem nove anos de idade.
- Que absurdo – disse eu.
- Não é à toa que é ‘mondrongão, né’? – disse rindo.
O Cheiro de comida gostosa já vinha da cozinha e me deixava ansioso.
- Tá pronto! – disse minha mãe.
Fomos “atacar a bóia” enquanto conversávamos sobre o lugar, sobre morar por lá, sobre a qualidade de vida, o vento, as abelhas, os marimbondos e tudo mais.
Após o almoço - como de costume - deitei no chão e, com a camisa em forma de travesseiro, dormi na sala, meu pai na sua cama e minha mãe foi molhar as plantas no enorme quintal cheio de árvores, plantas e mato.
Ouvia, enquanto “embarcava no meu sono”, minha mãe falando sozinha sobre uma fumaça que aparecia no meio da mata.

Acordei com minha mãe me cutucando e aos berros:
- Acorda, ajuda seu pai, ajuda, tá tudo pegando fogo, vamos fugir!
Fui correndo pra fora e já na varanda pude ver o vento levando todo o fogo pela mata rasteira em tudo que nos cercava. A fumaça ao longe cobria a vista da rua, do mar, das coisas, mas ainda assim, não havia perigo de pegar todo na casa.
- Já liguei pro bombeiro, diz que é assim mesmo(combustão natural), pra ficar calmo – disse meu pai na tranqüilidade.
Enquanto minha mãe gritava:
- Meus Deus, isso não pode, vamos fugir!
- Calma aí mãe, fica tranqüila, isso aí é tudo mato seco e não está alto, não vai chegar aqui, calma, calma.
- A fumaça vai matar a gente!
- Vai nada, nem tem fumaça aqui, tá longe, calma - dizia eu.
Meu pai olhando pela varanda disse:
- Rapaz, tá pegando fogo no quintal do Hélio e o “mondrongão” tá na praia.
-Meu Deus, e aquelas crianças, Jesus? – disse minha mãe mais nervosa ainda.
Quando saímos pra rua vimos a vizinha debaixo, cunhada do “mondrongão”, levando as crianças para sua casa, o que nos deu um grande alívio.
Minutos depois um carro preto em alta velocidade sobe a rua de barro e aparecendo por entre a fumaça da queimada, e parando em frente às terras de meu pai, sai ele, nervoso, de sunga, irritado e visivelmente embriagado: ”mondrongão”.
Desce ele do veículo com sua esposa e mais um casal de amigos (que também moravam no condado). Correram, pegaram galhos verdes, foice e conseguiram apagar o fogo que chegava bem próximo da casa que ele estava e já queimava a antena parabólica e fios.
Após o feito, esbaforido e mancando, “mondrongão” e seu amigo “Demir” vieram até nós e disseram:
- Tocaram fogo nisso aí “porra tudo”, que que tá acontecendo? Quem viu aí?
Mal pararam para fazer esse comentário e continuaram a subir a rua às pressas.
E eu fui atrás, sem entender direito o questionamento dos dois,levando um balde d’água e achando que eles tinham uma solução para o fogo.
Passamos pela fumaça até chegar em uma casa humilde, pequena, no baixo do barranco, sem laje, telhado antigo e quebrado, sem porta “no tijolo”.
Os dois pararam em frente a casa e “mondrongão” gritou com a primeira criança que viu.
- CHAMA LÁ TEU PAI!
Minutos depois aparece o “mais conhecido que moeda de 1 real”, Zé Antonio.
Negro, aparentemente 35 a 40 anos de idade, baixo, magro, sem camisa, descalço e com uma bermuda jeans surrada e a cara de sono.
- PORRA, Zé, “que que” tu tocou fogo nessa porra toda ai, Zé? - disse “mondrongão” aos berros.
Zé, ainda meio tonto, sem entender perguntou:
- Fogo de quê, Sr. Jorge? (fiquei sabendo o nome de “mondrongão)
- Fogo de quê? Fogo de fogo porra, tá aí “lambendo” tudo, “carai”! Foi tu que tocou, não foi?
-Sr. Jorge, que raio de fogo é isso que tu tá falando, “homi”? Tá “bebu”?
- PORRA, Zé olha aí “pros lado”, você tá maluco, Zé? (pegando o homem pelos braços e girando-o 180 graus para ver a fumaça que vinha do pasto e o fogo que se aproximava de sua casa.
-Misericórdiaaaaaa, Jesus, Maria, José, meu Santo Antônio, que diabo é isso?- disse Zé Antônio nervoso.
- É disso que tô “falanu” Zé, desse “carai” de fogo que tu tocou aí nessa porra de mato, Zé!
Foi nessa hora, então, que a “ficha de Zé Antonio caiu”
- HEIIII, como é que é? Tu ta aí “falanu” que eu que “atoquei” fogo nisso tudo, rapá?
- E NÃO FOI, ZÉ?
- EU?
- Ô, “carai”, quem mais havia de ser? Dê dinheiro pra tu, Zé, mas não te dê um “frósforo”, que tu “ataca” fogo “mermu”!
-“Ocê” é malucooo, Jorge? Que eu tô aqui dormindo rapá, desde meio dia, ”tavo” nem “sabenu” dessa desgraça aí fora, rapá!
- A casa então, se deixar, pega fogo com tu dentro dormindo, Zé?
- Rapá, eu “tavu bebu” dormindo e tu vem falar que eu “atoquei” fogo nisso aí?

A confusão estava armada, meu pai do meu lado chegava com mais balde de água, minha mãe, as vizinhas de baixo com vassoura, a mulher de “mondrongão” com a mulher de “Demir” e mais umas 8 mulheres que saíram de dentro da casa de Zé Antônio, um bate boca danado de quem foi, quem não foi que tocou fogo.
E “mondrongão” insistia:
- Quem foi, Zé? Fala que foi você logo, então!
- Foi o DIABO que “atocou” fogo nisso TUDO - disse aos berros Zé Antonio.
A fumaça entrava pela casa de Zé Antonio e mais umas 5 crianças saiam lá de dentro chorando.
- Zé, pelo amor de Deus, semana passada teu filho tocou fogo aí no teu quintal e saiu “alambendo” tudo pros “lado”, Zé, e não foi ele?
- Rapá, isso foi semana passada e eu dei foi uma surra no moleque tão grande que quando acende o fogão pra cozinhar o garoto corre pro quarto pra chorar. Mãe dele tá até pra levar o “muleque” no “psicórogo” e você vem dizer que foi a desgraça do “mininu”?
Ao passo que a confusão estava armada, minha mãe tentava explicar as duas das mulheres - que também estavam do lado de “mondrongão”- que isso poderia ser uma combustão espontânea na mata, devido ao mato seco, muito calor, vidro, papel na mata, lata e etc..
- Como que é, Dona Janete? “cãobutao” de quê?
- Não filha, combustão espontânea, o fogo se inicia sozinho.
- Pelo amor de Deus, eu tô pra mais de “quarenta anu” morando cá pra dentro, nunca que vi “fogo que se a pega sozinho”. Isso aí foi Zé Antônio e essa “família de lacraia” dele que vieram morar aí pra dentro, cambada de BICHO - dizia a mulher aos gritos - apontando pras outras que estavam em volta de Zé Antônio.
Minha mãe tentando explicar o fenômeno para a mulher e “mondrongão” tirando a camisa pra sair “na mão” com Zé Antônio.
- Vem que eu te arrebento, Zé - com as mãos fechadas em punho.
Meu pai até então quieto, pergunta:
- Mas é pra SABER QUEM FOI ou é pra Apagar o FOGO?
- Não, Sr. Fernando, mas tem que saber – disse “Demir”.
- Mas enquanto se quer saber, o fogo tá pegando lá no poste da rede elétrica, aí a gente fica sem luz, sem água e sem saber quem foi que tocou o fogo. Tá bom da gente ir lá apagar, né?
Todos se calaram, viraram os olhos pra baixo da rua e viram o fogo subindo pelo poste de madeira que segurava um enorme transformador.
- Mas aquilo ali é poste de Eucalipto, rapá, aquilo não pega fogo não – disse “mondrongão”.
- Pois agora vê, que que tu entende de mato, rapá? ”Que que tu entende de ‘pranta’?” disse Zé Antonio rindo.
- Bom, vocês ficam aí pra saber quem foi, se eucalipto ou cimento pegam fogo, que eu vou tentar “safar essa onça” com meu balde - disse meu pai me chamando pra ir junto já caminhando pro poste.
Desci com ele e meu balde enquanto o povo todo vinha descendo com foice, pau, galho verde, vassoura, regador, criança correndo com camisa amarrado no rosto parecendo “ninja” e tudo mais.
Todos juntos conseguiram apagar o fogo no poste e, já por essa hora na empolgação, o povo foi batendo, jogando água, cortando e o fogo na mata já ficava bem menor e dava sinais de fim.
O fogo queimou todo o mato seco, inclusive do campo de futebol improvisado ao lado e assim foi terminando o incêndio sem queimar nenhuma casa.
Já se findava o problema e “mondrongão” ainda resmungando pela rua ia descendo pra sua casa – melhor, de seu irmão - e dizendo:
- Meu carro é de álcool rapá, se chega fogo perto ele “exprode!”
Minutos depois, Zé Antônio passa com cara de furioso pela rua enquanto eu e meu pai sujos, com Pé queimado, fedendo e suados ficamos sentados na calçada bebendo água e minha mãe tomando seu remédio pra acalmar.
- Tá vendo aí, filho mais novo, que emoção é morar por aqui?
- É, tô vendo aí que “sanhaço” – disse aos risos.
- Não paga nada pra praticar um exercício físico, viu? Leva balde, joga água, corre, abafa, bate com galho, com vassoura, sobe a rua, desce, uma maravilha e, se quiser, ainda arruma uma luta de “diu jitsu” no meio mato, olha que maravilha!
Passados mais alguns minutos de bate papo, água gelada, risos e, voltado a respirar o ar puro, Zé Antonio volta subindo pela rua, com a cara bem melhor, olhos vermelhos, rindo, visivelmente embriagado novamente, pára em frente à escada e diz:
- Deus sabe o que faz né, Sr. Fernando? Agora tá é cheio de preá e cutia correndo pela rua, já peguei três e tô voltando com “meus menino” pra pegar mais, com o fogo “eles saiu tudo da toca!”
- Mas o que Deus tem com isso, Zé?
- Há, tocou fogo aí no mato ué!
- Mas você não tinha dito que foi o diabo que tocou fogo nisso tudo, rapá?
- Vixiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii,disse, né? Sei quem foi não ó, mas hoje lá em casa tem carne pra dar e vender, ô, “grória”, “inté!” Vou trazer um pedaço pro senhor!
E foi cambaleando pela rua...
- Tá vendo, até carne se ganha nesse lugar, por falar nisso, repete aí filho: paca, tatu, cotia não
- Pra quê isso?
- Repete ué.
- Paca, tatu e cotia não.
- Cotia não.
- Hã?
- Eita, meus tempos de criança! - disse rindo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

I WAS BORN


Antes tarde do que nunca, no estilo " Que isso NEmmmmm arrasouuuu!!!" coloco pra fora esse blog,essas ideias,essas poesias,essas textos,essa"manobradaspalavras.
Nao sei ao certo mas,bem por conta das manobras da vida,dai pensei nas palavras e PAMMM
nasceu o nome.
ta ai
hoje mesmo manobro o primeiro Conto por aqui.
:)