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sexta-feira, 27 de julho de 2012

ALFREDINHO



Alfredo tinha 10 anos de idade e uma vontade completamente atípica, era sede de mundo,que seus amigos da mesma idade não tinham muito Não.
“Alfredinho”,como era chamado por todos, era bem quieto, observava os amigos jogando bola e participava, do lado de fora, com seus gritos e total ironia das coisas.
Nunca gostou muito de esportes, e por aquela idade, já estava certo de que não iria se aventurar em nenhum outro, embora só conhecesse os mais praticados no seu Pais.
Um dia Alfredo estava na sala de aula e sua professora falou sobre poesia,
ficou ele ali, quieto, olhos vidrados na lousa, enquanto a professora escrevia.
“POEMINHA DO CONTRA”
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Alfredo leu, leu novamente e releu mais umas 10 vezes, algumas crianças ao seu lado riam, ele ali fomentado a entender o que a coisa queria dizer.
Não sabia o significado de poesia e se viu confuso naquela escrita “com duplo sentido” que Mario Quintana eternizou.
-Alfredo,gostou? Entendeu? – perguntou a professora enquanto ajeitava os óculos na face.
O menino quieto, com os olhos na janela, procurava nas árvores do colégio, uma resposta.
-Professora, ser um passarinho é ser poeta? Tipo assim,um passarinho é o próprio poeta?Porque se as pessoas ‘passarão’ e ele passarinho,ele passa devagar ou ele é um passarinho?

A professora deu um pequeno engasgo, fez tossir, olhou novamente pra Alfredinho e disse.
-Sim Alfredinho.Se você entender que a mente de um poeta pode ter asas e associar que pássaros também as tem,você pode ser um poeta.

-Professora,ele é um passarinho ou ele passou devagarzinho? –insistiu o menino-
-Eu não sei te responder isso. –disse a mulher com tom de insegurança-

As demais crianças riam da cara de Alfredinho como se tivessem pena e achassem graça nas perguntas ‘sem sentido’ do menino quieto, tímido e observador.

Naquela tarde,ao chegar em casa,foi a primeira coisa que perguntou ao seu pai:

-Pai,me explica o que é poesia?
-O que você quer saber filho?-perguntou o pai enquanto deitava no sofá-
-Queria saber o que é poesia e se o senhor tem alguma, um tal de ‘Mario Mintana’ tem uma, que a professora nos mostrou hoje.
-É Mario Quinta filho – corrigiu rápido sorrindo-
-Isso,esse Mário disse na poesia dele que era um passarinho,mas e se ele é poeta,então,um poeta pode voar pai?

O pai ficou mudo, os olhos se voltaram para o teto por alguns segundos e ele disse:
-Não tem quando você esta deitado, na hora de dormir, e fica se imaginando lá na casa de campo da vóvó?Quando você fica se imaginando lá,correndo,brincando,tomando banho de piscina,consegue lembrar com detalhes como é o sitio,o cachorro REX da vó, e até aquele cheiro que ele tem quando se molha?
-Sim pai, claro,claro,consigo ,da até saudade.
-Pois então,mas você não esta deitado na cama filho?Como pode sentir tudo isso?
-Acho que é porque eu amo a casa da vovó e minha mente Voa até lá,caraca.
- E quem voa é quem meu filho?
-passarinho pai - disse todo sorridente-
-Passar seu pensamento pra escrita,em um papel,na hora em que você voa em pensamento como um passarinho, que te leva a alguém ou algum lugar que ama,te faz feliz,isso é poesia filho,acho que isso é a poesia. – explicou meio aliviado e confuso-
-Pai,posso te falar uma coisa?
-Claro Alfredinho
-Eu sou um Poeta então? – esticando o braço entregando um papel ao pai-
O pai meio sem entender, o pega, ajeita o olhar e lê:


“Poeminha Da poesia”

“Na janela da escola tem arvores que são casa de passarinho
Lá o pensamento dorme,o Mario quintana voa,o mal passa
e a poesia é um pensamento cheio de graça.”


-Que isso meu Alfredinho,meu filho,você é um poeta !Maravilhoso sabia?
O menino se pegou a sorrir enquanto abraçava o pai.
-Mas posso te falar uma coisa? – disse o pai com os olhos d’gua-
-Claro pai
-Você é minha melhor Poesia.
-Ué pai, eu sou poeta ou sou POESIA? Hi,coisa mais confusa – disse ligando a TV-
-É filhão, vamos deixar pra amanha, a gente continua essa conversa,meu poeta-poesia.
-ham?


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Frances

Olha que ao acordar la pela meia noite,
eu não imaginava trocar o dia pela noite.
Aquele Bar com gosto francês,
tinha samba,gente boa e bonita até as 3.

Olhares cortados pela lateral de um cardápio
Olho se procurando na sombra de uma coluna
Mais uma vez,um jogo estranho,com calma,ternura
Vinho tinto seco,frio e alegria pura

De certo,como dizia o poeta, o rapaz
com cara de marido, a moça pode se aborrecer
Fique assim não,tudo existe o passar
haverá claridade no desabrochar

Perigoso andando na corda bamba
sorrisos sortidos,batuque na mesa, samba
um abraço, despedida
aqui me vou
pede a conta
paga o couvert
tem 10%
mas valeu o a beleza
o amigo
o
assento


----Sobre o que Só vi------

----Sobre o que Só vi------

Ela tem um olhar perdido, ela tem.
ela tem um desejo consumido,
uma vontade de mundo, de ter,transcender.

Essa mulher esta amarrada
Asas machucadas,que ela escolheu
sofre cantando em gaiola
ela sabe o preço de ter a liberdade vigiada

é do tamanho da sua beleza
o condicionamento escolhido
e nada além do que pulsão
e incomodo de desejo reprimido.
Ela não está feliz.

terça-feira, 24 de julho de 2012

--Vendo Coisas---

--Vendo Coisas---

Quando olhei para o lado e percebi,
Você já não estava mais ali,
Puto,Fui pra casa com sono
Fiquei deitado posto a dormir

Quando você apareceu no sonho
Não falava nada, só fazia sorrir
Tentei chegar perto tecer um toque,
Um beijo, algo pra se fazer sentir

E você voava...

Acordei assustado, procurando você ali,
na cama vazia,coberta fria, óbvio, tu não estavas mesmo ali
Deus Sabe onde,
Voando por onde me perdi.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

---Procura Então----

---Procura Então----

Se eu for ali e não voltar
procure-me nos meus livros
Se também não me achares
Procura nas minhas poesias perdidas

Se sentir meu cheiro por ali
tente sentir tambem esse vento que passa
Deguste esse vinho, afaste a alma da ressaca
Feche os olhos,sinta esse gosto, novamente, tente.

Por ultimo me procure no mar,
Na ponta da pedra, no sal, no verde do ar
Se mesmo assim não me achares
fica tranquila, porque nunca nos perdemos
Pelo fato de que na verdade,olhamos
mas nunca nos vemos
De fato,achamos mas nunca nos tivemos
Agente
Nunca.

Gudão Hugo Mendes Guimarães
18-07-2012
Dia de frio

domingo, 8 de julho de 2012

Domingo a tarde

Caindo leve a chuva no verde,
a água caindo no mar...
ventando leve no azul, brisa
brisa no frio do inverno no ar.

Olhar de melancolia
Para o domingo que cai
Ouvindo no radio uma doce melodia
Sentindo algo que se esvai.

Suscitando você aqui, cheiro e cor
Vai,leva,traz toda sua alegria
Vem com calma
E se aconchega no meu cais.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

//MINHA FALTA//


O que te quero dizer é que eu não sei,
Mas o que quero te dizer é que eu nem sei,
Digo também que sinto, isso sim,sinto.
Mas quero te falar onde não minto,
Eu sinto,mas as vezes omito.

O que quero dizer é que nem tudo tem nome,
As vezes o rótulo esta em construção.
Desconstruindo coisas para construir outras,
Mas sou calmo demais passando despercebido.

Passo às vezes por coisa que não sou,
quieto e pensativo pareço que não me dou
Perdido em mim e muito cobrado
falto onde devo ser demasiado.

Perco-me na objetividade
É muita volta pra pouca curva
Minha sentença vem sempre a cavalo
E pago caro pela minha água turva