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terça-feira, 3 de março de 2015

RETRATO

Um garoto sentado no banco de uma praça com um violão no meio da tarde uma segunda feira era o retrato do acaso e do descompromisso mas com uma suavidade de despreocupação com a vida.
Uma mulher pedindo dinheiro pra comprar um remédio pro filho doente
era a imagem da pobreza e do sofrer na rodoviária daquela cidade grande.
Um abraço do casal bem agarrado na despedida antes do embarque era a saudade materializada sendo extirpada.

Uma gargalhada sem fim do senhor de idade com sua neta na pracinha do bairro,era a própria alma do amor encantado pelo ser.
Uma árvore que balançava e soltava suas folhas, ainda envergada pelo vento forte que batia aquela tarde, era uma imagem de resiliência e do jogo de cintura da natureza.
Uma discussão de bar sobre a vida, relacionamento e o tempo era filosofia de garrafão de vinho entre amigos naquele momento.

Quando se parava lentamente para o observar os movimentos e retratos que se moviam daquele mundo, tentava-se guardar na memória como um quadro desenhado dentro de si.

A porta de um cemitério cheio era a representação de um estranho adeus para alguém que marcou muitos e deixou esse mundo.
Poderiam ser quadros para um artista que pudesse representa-los em pintura, poderiam ser fotografias do congelamento daquela fração de tempo ou poderia ser poema para um poeta que disseca o olhar filosoficamente em dias que se perde em observação sobre detalhes tão despercebidos do mundo que gira tão rápido!

segunda-feira, 2 de março de 2015

PAIXÃO DEVERIA..

Uma paixão deve ser qualquer coisa como uma noticia de gravidez
uma paixão deve ser qualquer coisa curiosa como uma voz surrando no ouvido
- estou esperando um filho teu.
Uma paixão é o seu coração lhe dizendo os meses que começam a se desenhar e contar nessa nova gestação.meio sem saber como vai ser.
Essa novidade toda, ora da pele, ora do beijo ou do olhar brilhante
é qualquer coisa como feto, ali fecundado, feliz fertilizado doido pra nascer.
vai saber..paixão é qualquer coisa que se mistura a novidade.
que atropela a vaidade e talvez se desenhe com outros nomes.
pulsão de vida é a vontade de viver a novidade
sem nem querer saber o que vai nascer.
deixando-se acontecer,movendo-se em palavras
paixão é deixar nascer.
silaba por silaba
deixando
arder.

INTIMAÇÃO

Convite é como presente
A gente recebe, abre ou não.
Agradece ou talvez não
Sorri talvez sem jeito
Nao sabe o que dizer direito
Mas convite nao é intimação
Nao se acanhe
Entre nāo e sim
No mundo existe muito tempo
So nao existe em mim
Nao tem protocolo
É sim
Ou não.

ARTE

Quando me arrepio ouvindo uma musica
Penso que é a alma se espreguiçando
Quando choro vendo arte
Penso que é meu corpo despertando
Todo esse fibrilar
É minha materia se emocionando
Dando sentido ao existir.

- 02 de dezembro-

- 02 de dezembro-
O que eu quero de aniversário
é o presente que já tenho
desembrulho todo dia
o ar e a vida que não vendo.
O que eu quero na minha festa
São os amigos e o vigor do passado
guardados na memória vivinha
da infância nessa
lembrança do imutável
o que desejo para mim no meu aniversário
é esse futuro de brisa,
esse gosto de vida boa,
é a imortalidade do arrepio
quando mato uma saudade.
A beleza não catalogada
de um mar em sol
de um brilho que bate n'água
de uma pescaria sem anzol
Sagitariano cheio
de ascendente em peixes
acertando flechas no mar
brincando de cavalo marinho
que mais desejo eu
senão esse oceano de vida
e um abraço
cheio de carinho.

talvez

Talvez aeroportos já viram beijos mais sinceros do que casamentos, talvez hospitais já ouviram preces mais fortes e verdadeiras do que igrejas, talvez cemitérios já ouviram mais sinceros arrependimento do que confessionário, talvez haja mais felicidade onde não se espera e mais dor onde tanto se negue. Talvez não seja o que parece, talvez não pareça. Quem vai saber se sua vida passa em brancas nuvens ou não?
tempo, lugar e razão, talvez não faça sentido ou se faça necessário essas indagações? Sei não.

-- Mergulho diferente-


Naquela manhã ele mergulhou
naquele mar verde e saiu
daquelas águas de azul
vestido com camisa de mata-saudade
calças de amanhã
botas com asas de ventos uivantes
e chapéu de idéias.
Pensou em ganhar o mundo
Enquanto o Sol nascia pequenino
Quando ele acordava todo molhadinho
De tanto suor verdadeiro
daquele gostoso sonho de menino.

E se...

E se a gente nao se encontrar
Depois do fim?
E se nao tiver céu
Se nao tiver inferno
Se o gosto for só esse fel?
E se nao existir o outro lado
Se for tudo escuro
Se nao tiver Abraço
Se so tiver nó
E nada de laço?
Se nao tiver reencontro
Se nao existir poesia
Se no além nao tiver ninguém
Como vamos fazer?
Se lá for mar profundo
Um sono sem fim
Um sonho sem lembrança
Uns acordes desafinados?
Que musica vamos tocar?
Que poesia vamos fazer?
Se só pó seremos
Na terra fecunda
Como poderemos ser
Senão arte para quem
Quiser nos ver?