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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Meu Pai,Nosso Pai.

Ele é um cara tão otimista que consegue fazer você acreditar que o sol vai abrir mesmo que o céu,preto,ventando e chuvoso te mostre o contrario. Ele ri,brinca,conta historia,te distrai,tudo para o que o tempo passe mais rápido e o sol,esse sim,venha a aparecer,pelo simples fato de que você tanto querer esse dia,e faz bem para ele vê-lo bem,com seu sol, que fará o seu dia melhor,esse cara, quer te ver sorrir.

E por falar em sorrisos, não é difícil,quando ele vê alguém,geralmente da família,meio com cara fechada,logo perguntar -Você já sorriu hoje? Você ri da forma como ele faz,assim,sem pretensão ,só mesmo pra querer alegrar seu dia.começa a contar historias,piadas antigas e repetidas,sim,as mesmas que ele conta há tanto tempo,mas com tanta vontade e sabor que você ri,pois ele consegue fazer as piadas repetidas,serem inéditas,é um dom gostoso. Paciente e otimista como quem ficaria a vida toda sentado numa pedra,a beira mar,esperando seu barco voltar para leva-lo pra casa,mesmo que tudo mostrasse que esse barco não viesse. era o otimismo das coisas,da vida,das pessoas,e que fazia esse cara simplesmente ACREDITAR, e ele passava isso a frente,em qualquer situação,ele sempre te acalmava com. -Vai ficar tudo bem, vi no seu horóscopo hoje. ou então das formas mais diversas -Deus ajuda quem cedo madruga,já ouviu a musica,Tu me sondas ? Senhor,sei que tu me sondas..

Tinha e tem o olhar às vezes cansado mas nunca ,nunca se deixava abater,não parava. Era pros filhos,pros netos,irmão,irmão...Ele sempre dava um jeito de fazer tudo, qualquer favor, ir a fila de banco pra resolver coisas ,,comprar remédio pra neta,sacar dinheiro no 24 horas,comprar fruta e folhas para um chá especial pra melhorar a dor de estomago da minha mãe,tirar Xerox e encadernar algo pra alguém estudar, pegar ficha de inscrição pra concurso da marinha pra sobrinha da amiga da vizinha fazer,era um faz tudo,e fazia com gosto. não era difícil vê-lo chegar em casa, numa terça feira a tarde, cheio de sacos de compras,um jornal embaixo do braço e metade de um pão Frances na boca,desfarelando na boca -opa, ta hora do cafezinho heim? Nunca falou coisas de forma agressiva,NUNCA, é suave sua forma de falar,de cantar,de contar piadas,de sorrir, de rir da sua infância sofrida,de elogiar sua mãe marinha,de ser um homem do bem e que,pasme, não conseguia aceitar ou acreditar no mal do mundo. achava mesmo que as pessoas eram boas, que no fundo todos assim eram,e por ser tão bom,sua alegria contagiava quem mal ,por ventura,quisesse fazer,e assim não quisesse fazer mais.

Volta e meia, meio assim do nada, você o ouve declamando poemas antigos, sozinho, como quem os declamava pra si próprio - Tal como a folha caída fecunda a terra no estio/Para fecundar a vida o trabalho se inventou/feliz quem pode orgulhoso dizer – nunca fui vadio , e se hoje sou venturoso,devo ao trabalho que sou. Criança tu nunca veras um pais como este, olha com grandeza a terra em que nascestes. olha que céu, que mar, que rios,que florestas, a natureza aqui perpetuamente em festa. Ai ria ele sozinho e dizia pra mim -Isso é Olavo Bilac Me tomava o gosto pela poesia sempre que o ouço assim declamar,ao vento,sozinho,sorrindo e sempre de forma indireta falava e fala muito ao meu coração. É com orgulho que ao passar pela ponte rio Niterói,todas às vezes, ele olhar la pra baixo,em direção à base e meio que se emocionar:

- Eu que planejei a elétrica disso tudo ai que você ta vendo, tenho essa planta guardada até hoje sabia? Tô há 30 anos pra devolver,mas tenho ate vergonha,será que eles vão me punir?Eu não podia ter levado isso pra casa – fala meio sorrindo-

E sempre rindo da mesma forma que ele sempre fala desse caso, e dessa capacidade de ser inédito, novo, cheio de novo gás. era no gás de suas historias de marinheiro que tudo nasce, a alegria de um conto vivo, ali,na hora,pronto pra ser contado,e eu, olhos abertos e ouvidos mais ainda,só fazia rir da sua invenção do telefone que tocava em sirene de alarme, e com lâmpadas do navio piscando ,para o almirante que era surdo conseguir saber que o telefone tocava,que alguém o chamava.



Por mais clichê que pareça , é com orgulho que falo que é mesmo meu ídolo,meu herói mesmo de todas as horas,de toda alegria, de toda angustia que ele me tira, é meu pai. é o cara que se preocupa com a inocência de seus filhos,como se essa inocência fosse eterna,como se não soubéssemos da maldade do mundo e ele,que já há tempo conhece os mares,os países,a vida,as línguas,que há tempos anda sozinho por esse mundo de água sem fim,pudesse,quisesse nos proteger. Como em suas historias de alto mar,no triangulo das bermudas,o navio passar batido,sem avisar a tripulação por onde estavam,ele fazia com a gente,sem nunca demonstrar o perigo que pudéssemos estar passando, nos distraía com sua alegria e simplicidade,e nos protegia sem que percebêssemos o que pelo momento acontecia. depois,como no navio,avisava

- Senhores, 2 horas atrás acabamos de atravessar o triangulo das bermudas,esta tudo bem,tudo na paz,tudo tranquilo nesse mar,belo mar selvagem. Volta e meia ele diz assim, com um olhar inquieto para algo estranho, sim, ele fala sozinho para quem perto estiver poder ouvir.

-Tudo que é calmo e perigoso, veja o mar, observe,da sua calma a sua revolta,da medo. Meu pai é o cara da alegria,da simplicidade,é o cara que não compra roupa,nem tênis,nem cinto,nem brinquedo caro pros netos,nem coisas muito chics,ele não gosta não. meu pai é o cara que carrega sacos de compras no ônibus,que faz baldeação pegando 5 ônibus pra chegar a município distante só pra não pagar passagem,que se suja todo chupando laranja e comendo melancia no meio da feira do bairro,que anda com as calças sujas,que compra pião e carrinhos antigos de madeira para as crianças.

É o cara que compra um conjunto de chave de fendas e ,quando te visita faz de conta esquecer na sua casa,mais tarde você descobre que era um presente pra você. Meu pai é o cara que canta musicas antigas sozinho e pergunta pra mim se consigo acha-las na internet.Meu pai é meu amigo mesmo,desses que são raros mesmo,e isso é um privilegio sem tamanho sabe?Ele é o cara que leva café da manha na cama pra minha mãe,ainda hoje,quando ela esta meio pra baixo,é o maluco que vai de ônibus no interior de duque de caxias,na fabrica da brastemp, achar e comprar a peça da galedadeira que dizem não mais vender,que é melhor trocar por uma nova.

-Olha ai Tião, a peça que não existe mais,pode trocar por favor,que essa maquina ai ainda vive uns 30 anos- com sorriso no rosto-

Meu pai é o cara que desenha uma Mao apertando um botão como um manual de instruções de “como apertar a descarga” e cola em cima do vaso,por estar sempre mexendo na válvula que escangalha e acreditar que só fica ruim pelo mau uso, e não pelos 40 anos que esse treco ali esta,desde que a casa foi construída.

Ele é o cara que enche a cozinha de comida,frutas,leite,pão,queijo,verduras e legumes. como se estivesse estocando pro ‘ fim do mundo’. Meu pai é o cara que chama seus filhos de ‘doutor’ e ‘doutora’, que sente orgulho no sobrenome Guimarães,e que acredita nas mais singelas formas do amor. meu pai é o cara que compra um calendário SEICHO-NO-IE todo ano, esses que tem uma frase,pensamento, pra cada dia sabe?e pendura na sala de jantar,sempre de pensamentos positivos,por falar nisso, a de hoje,dia 30 é:

-incontáveis talentos estão ocultos dentro de você.

Descobrir esses talentos é o que meu pai consegue fazer,despertar,fazer claro. meu pai é o cara que não gosta que soldado de ‘soco no sereno’ , vive a vida serena,poética e musical,meu pai é o cara que escreve o nome da minha mãe na polpa da réplica do barco que eu dei pra ele de presente e diz:

-É porque todo barco tem que ter um nome,nome de mulher,você sabia disso gudinho?ta ai o nome do meu JANETE ROSAS – RIO DE JANEIRO

meu pai irmão? Meu pai é o cara!Meu pai é “duca”,”ducar@l&###@@@”