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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

INFANCIA E VALORES - 12/04/2006 -


INFANCIA E VALORES - 12/04/2006 -

- Vai ficar me empurrando Rodrigo ? coe?-Disse o menino de aparência de 10 anos de idade a seu irmão mais velho que brincava de judô, tentando jogá-lo no chão-
- Para Rodrigo, coe? Vai pagar 45,00 na minha bermuda?, 70 conto na minha blusa e 55,00 no meu boné se rasgar minhas peças me jogando no chão?Qual foi ‘neguinho’?
O irmão riu e disse meio que desapontado a o colega do lado
-Olha só parceiro, o maluco ta mais preopado com as roupas de marca dele que vão rasgas do que com o tombo que ia levar,só pensa nisso,impressionante os valores que vão se criando.
Enquanto isso o irmão menor pegava o skate e ia ‘surfando’ no asfalto ate o amiguinho, da mesma idade, do outro lado da rua, que usava o mesmo tipo/estilo de roupas desse,até o boné era igual,só mudava a cor.

Estava no meu bairro numa tarde de quarta feira, em frente a uma locadora esperando meu amigo entregar seu filme, enquanto assisti calado esse dialogo dos irmãos.
Penso que os valores que formamos vem exatamente daí, e me recordo, por exemplo, que não tive essa criação, não me importara com marcas, embora visse sempre na escola onde estudei esse mesmo tipo de menino, que usavam o antigo redley preto, calca da phelipe Martin e blusas da cyclone.
Eu mesmo nunca pressionei meus pais para comprarem nada pra mim, para participar desse grupo dos ‘amiguinhos da escola’(eu devia mesmo ser estranho), mesmo por que,definitivamente eu era um peixe fora d´água .Também gostava mesmo era dos amigos da minha rua, do meu bairro, que sujos brincavam ate altas horas na rua ( umas 22:00 hs) de pique esconde no quarteirão todo, e nos aventurávamos no nosso pequeno exercito de recrutas,onde o quartel general era na minha casa,no fundos do quintal,em cima da árvore.
Eu me sentia bem a vontade dentro do meu nicho, meus amigos da rua,aqueles q ficavam horas brincando de boneco, luta livre,corrida de carrinho de rolimã , telefone de lata ( aquele q amarrava um fio enorme de barbante).
Lembro-me que certa feita um menino- que o pai tinha melhores condições-, deu a esse um navio enorme, mais de 1 metro e meio, cheio de ‘papagaiada’, com motor e controle remoto, ascendiam luzes, farol, era realmente enorme e pomposo.
Todos os meninos ficaram fascinados, inclusive eu que tive a brilhante idéia de ‘testar’ o brinquedo dele. já que não tínhamos piscina em nossas casas, onde mais por esse ‘bichão’
-apelido que demos ao navio- pra navegar, senão no valão aberto que tínhamos no bairro?

Ele resistira por algum tempo ,mas sofrendo pressão de todos os amigos , cedeu.
Fomos todos correndo para o inicio do valão, que cortava quase todo o bairro, lembro-me que havia pontes em todo seu comprimento, de 20 em 20 metros.
A idéia, então, era por o navio no inicio do valão, e pegá-lo pela ponte, 20 metros a diante, enquanto somente o dono do navio ,(teoricamente, isso ajudou a convence-lo), iria com o controle remoto brincar de direcionar as pás do navio,fazendo ‘zig zag’ nas águas sujas do esgoto ate resgatá-lo na ponte.
Tudo pronto ,lá estávamos , eu , reco-reco, puruca,azeitona,digão,papel , mochila e Fabiano com seu enorme navio.
Puruca e azeitona desceram com cuidado e colocam o bichão no ‘mar’, Fabiano então começou a acelerar e o ‘bichão ‘seguiu reto.Fomos acompanhando paralelos ao valão vendo aquele ‘titanic’ abrindo águas, girando, desviando dos sacos de plástico e garrafas e o sorriso estampado no rosto do Fabiano quando ‘papel’ GRITOU, já tomando o aparelho das mãos dele.
- PRONTO FABIANO , me da A PORRA do controle é minha vez.

Fabiano irritado :
- Não vou dar P...nenhuma cara, o navio é meu e nosso acordo foi esse, só deixei colocar ai dentro por que vocês disseram que só eu ia controlar e depois me ajudavam a limpar ele e guardar na caixa.

Fabiano era realmente o mais bobo dos parceiros, o único que cresceu tomando ‘danoninho’,água mineral com gás,chinelo caro, carros de controle remoto, era,de fato, o mais mimado da turma,estudava na melhor escola, quase não xingava, e vivia querendo nos ensinar a jogar xadrez.

Iniciou-se uma briga entre Fabiano que e ‘papel ‘pela posse do controle remoto, puxa dali, pula de cá, puruca e digao vieram tomar da mão do garoto,cairam no chao, e eu estava na ponte gritando.
- ALOWWW PARA COM ESSA PORRA, vem pra cá me ajudar a pegar o navio que ta chegando, CUIDADO COM O PNEU MALUCO.

Acho que eles não ouviram, o navio acelerou descontrolado e ,antes de chegar a ponte, bateu de frente no enorme pneu de caminhão que devia servir de casa de rato.
E eu gritei
- FUUUUUDEUUUU!!!!!!!!!!

Assim que bateu, e após meu grito, todos olharam pasmos pras águas sujas e viram o nosso
‘titanic ‘tombando e afundando, não como o próprio navio ,no caso lentamente,mas como um prego na água,rápido e ’pluft’.
A cara do Fabiano, coitado, correndo e chorando ate a ponte.
- Me ajude, me ajude , meu navio, meu pai, meu Deus ,Jesus,o que eu faço?eu vou morrerrrrr!

Nossa operação de resgate não foi das mais eficientes.Pegamos o bambu na casa do digão que tiramos escondido o varal da mãe dele e fomos pra lá tentar levanta-lo. Fabiano só fazia chorar, sentado com a mão no rosto,enquanto eu e os parceiros ficamos ‘futucando’ o fundo do valão, que parecia ter mais de 1 metro de profundidade.
Nada achávamos, senão lodo, coco, sacos plásticos e rã (como era bom caçar e comer rã, mas isso é uma outra historia).
-Ta cheio de rã hoje huginho,mais tarde a gente volta pra pegar,tua vó faz pra gente?
-perguntou puruca pra mim-
-calma ai parceiro,vamos procurar o navio do muleque,depois a gente vê isso de rã.-disse rindo-



Nenhum de nos se atreveu a entrar naquela imundice pra procurar o navio logo de quem?De Fabiano ‘cara de sabão’.
E o garoto foi pra casa chorando,resmungando e soluçando.Mas tudo foi resolvido da melhor forma possível, o pai dele logo tratou de dar o então lançamento do vídeo game ATARI com 23 jogos e nos proibir de aparecer na sua residência, afinal não éramos boa companhia para o filho dele, achava o grande empresário Sr.Carlos Amaral.

O valor dessa lembrança que carrego ,já como adulto, e que creio que ficará dentro de mim enquanto eu existir, não há boné da moda, nem bermuda de surfista, nem tênis de skatista que possa pagar. São outros valores,uma outra infância,um “gostoso outro tempo”.
Hoje quando reencontro esses amigos de infância e paramos pra beber uma cerveja,comer um churrasquinho no ‘guimarães’ e conversar, essas entre outras historias marcantes de nossa infância são expressas com tanta alegria, tanta saudade de um tempo que não volta, mas que nos marcara para sempre.
Não sei se terei filhos, mas faço gosto por um dia tê-los, e hei e passar a esses todas minhas histórias ede menino e o que Mario quintana já dizia.
‘ Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata !’


HUGO MENDES GUIMARAES
12/04/2006

Vento no minho




Trago vinho e lembranças do outro lado da Bahia
Trago palavras perdidas e sentimentos disformes
E o que terá nome?
Vago pelo meu pensamento já perdido na volta
Onde estou?
Sou uma alcatéia de desejos e vontades,
Cadê os sinônimos?
Aonde foi parar o "pseudo-controle" do sentir?
O leve pesa na definição
Como assim palavras somem? Escorregam pelas mãos?...
Fico com o peso do teu corpo
Trago o teu sorriso delicado
O gosto da tua boca na manha desconcertada
Da intimidade ainda envergonhada,
guardo o que ainda quero sentir nesse dia que me vi perdido.

A Escrita


É quando ouço o som pela janela de dormir
Desse que entra num singular por se sentir
Me desperta a atenção para o quintal escuro
Será que estou louco? Que faço?

É quando me pego no susto de minha saudade
No suspirar de meus pensamentos perdidos
No se mexer na cama como bicho mordido
Que ouço teu som sereno no meu se perder

A hora já nem importa quando a vontade vem
A caneta,o primeiro papel, a primeira palavra
O desabrochar pra vida na primeira golada
Na primeira frase,na primeira chorada

A poesia bem assim se faz,sem menos,sem mais
Sem mais imaginar ser,sem menos endurecer
Toma forma,toma pulso,toma gosto,sem desgosto
Me faz assim sentir,assim não desistir
De ser o que minhas palavras são,
Tão somente eu ,pão saudoso do teu gosto

domingo, 13 de fevereiro de 2011

DO CASAMENTO E DA VIDA MILITAR



Era um daqueles dias em que tudo parecia dar errado... Acordei de mau humor. Me atrasei. Cheguei na escola e fui barrado. Fazia um calor dos infernos. Deixei café cair no uniforme. O ônibus quebrou na volta. Cheguei em casa cedo e tive que explicar pros meus pais o que havia acontecido... Minha mãe super irritada com o almoço, com o que faltava fazer, com a bagunça da casa, com a sujeira... Reclamava de tudo! Da qualidade da batata que meu pai acabara de comprar ao gosto da água no galão.
Suada... Esbaforida... Eu via no seu rosto o suor escorrer enquanto abria o forno e gritava irritada:
- Teu pai também me compra um frango horrível desses, o treco não assa de jeito nenhum, coisa ridícula!
Eu ali, olhando aquela cena. Meu pai tirando das costas mais 4 sacolas com frutas e legumes e pondo no chão.
- É... O dia está quente... São Pedro tá “chamando no maçarico”!
- Maçarico tá na sua cabeça, FERNANDO GUIMARÃES, que me compra um chuchu desses!!! Disse ela, mais irritada ainda (quando o chamava por nome e sobrenome, era por que a coisa estava feia...)
Fui me dirigindo para a sala pensando em como devia, de fato, ser difícil casar, conviver juntos, enfim, no auge dos meus 16 anos isso era uma questão embaraçosa... Pensar nisso, ver dias como esse dentro de casa e que deveriam ter em qualquer outra. Enfim, falei:
- Pai... Sinistro! Você é todo paciente, né? Tranquilão aí, não se estressa e minha mãe desse jeito com a gente, cara... Pô... Como é que pode isso? Reclama lá também, pô!
- Gudinho, - como ele me chama - vou te contar uma coisa:
- Coé, pai? Vai lançar qual caô agora?
- Com 13 anos eu comecei a trabalhar. Era uma loja de sapatos no centro do RJ. Era o que hoje vocês chamam de Office boy... E cheguei a conferente, sabe?
- Hum?
- Pois então, foi quando eu conheci minha mãe, com 14 anos.
- Sua mãe, pai? Ela não faleceu no parto da minha tia?
- Sim, “deixou de existir “ nesse dia. (Engraçado... Meu pai nunca usou a palavra “morte”.)
Por alguns segundos pensei:
- Meu pai estaria ficando maluco ou estaria me contando uma história sobrenatural? E, no caso, qual a relação disso com o casamento e com o estresse da minha mãe?
- Eu falo da minha segunda mãe: MINHA “MÃE-MARINHA”, A Marinha Do Brasil!
- Aaahhhhh, pai! Já disse que não to a fim de ir pra Marinha, cara!
- Não, não... Fique tranqüilo... - e continuou a história:
- Com 14 anos entrei pra Marinha do Brasil. Fiquei interno 3 anos, muito corri, muito malhei, comi coisas que nunca imaginei comer, fiz coisas que não achava que era capaz de fazer, aprendi a cozinhar, a praticar esportes, a me alimentar... Aprendi até a costurar e a dar brilho no sapato! Aprendi a ‘gíria do mundo’!!! Viajei também o mundo, conheci gente, me especializei, fui a Sargento, Sub-Oficial e, nas prerrogativas de Almirante, fui professor na minha área na Marinha. Fui paraninfo de turma e tudo... Já te contei essa???
- Já pai, essa eu conheço... - disse eu, rindo.
- Pois então... A melhor e a pior parte da minha vida na Marinha você não sabe onde foi. Ou sabe?
- Sei pai... Na Guerra da Lagosta, né? – eu disse, rindo.
- Que Guerra da Lagosta nada! Isso foi moleza! Marcante mesmo foi nos submarinos.
- Humm...
- Fui com orgulho Chefe de Máquinas, Eletricista Oficial, enfim... Fui Submarinista boa parte da minha vida na “Mamãe Marinha”.
- E o que tinha de horrível lá no submarino?
- Gudinho, eu já levei vocês lá quando crianças, você lembra né?
- Sim, lembro.
E nesse momento meu pai liga a TV, junta os sofás de forma a criar um retângulo de uns 4 metros quadrados, ficando nós dois ali dentro, e começa a falar:
- Tá imaginando o calor? Muito quente? Imagina motores, todos os motores, estamos na casa de máquinas, tá agora uns 54 graus aqui dentro, temos poucos metros quadrados, nossas cabeças batem no teto do submarino, pois “aqui” só tem 1,60m de altura... Estamos com muita pressão nos ouvidos, a 200m debaixo d’água.
Meu pai ia falando isso, ao passo que ia aumentando o som da TV. E o pôs no volume máximo!
- PAI, A TV ESTÁ MUITO ALTAAAA!!! - disse eu, quase gritando.
- ENTAO... ESSE É O BARULHO DAS MÁQUINAS TRABALHANDO... É ASSIM MESMO, É O MOTOR - disse ele, aos berros.
- ISSO É COISA DE MALUCO! – gritei.
- AGORA ENTRA NO MOTOR PRA TROCAR A FIAÇÃO, TÁ MAIS CALOR AINDA... VOCÊ BATEU A CABEÇA NO TETO E O CAPITÃO QUER QUE VOCE RESOLVA O PROBLEMA DO MOTOR AGORA. AGORA!!! EU DISSE AGORAAAAA!!!
A TV nas alturas, meu pai gritando, eu gritando mais ainda e – confesso - emocionalmente me senti irritado e com calor.
Minha mãe aparece na sala com uma panela na mão e batendo os pés no chão.
Meu pai desliga a TV, empurramos o sofá pro lugar, ligamos o ventilador e minha mãe diz:
- Fernando, só me faltava essa! Você brincando com o Hugo, DESSE TAMANHO, em cima do sofá, sujando, PRA VARIAR, e ainda por cima estão surdos??? – E deu as costas. E voltava para a cozinha resmungando, enquanto ele me olhava eu perguntei:
- Mas e aí? Onde estávamos? Essa era a parte ruim, né? E a boa do submarino?
- Pois é, filho, a boa é que sua mãe pode fazer o que for que jamais chegará perto do stress de um submarino, a 200m de profundidade, com problemas no motor, um calor de 50 graus, uma gritaria, 4 homens “batendo cabeça” pra reparar o problema e um capitão gritando no seu ouvido.
- NÓS VAMOS MORRER AQUI DENTRO SE VOCES NÃO ‘ SAFAREM ESSA ONÇA’ HOMENS, ISSO NÃO É UMA SIMULAÇÃO, CADÊ A SOLUÇÃO???
- Que situação pai... Isso acontecia com freqüência?
- Bastante, bastante...
- É, no caso, comparando, né? Minha mãe até que...
- Sua mãe é um Anjo - disse, rindo.
- Entendi... Essa é a parte boa, né?
- Também... Melhor ainda por eu ter feito sua inscrição pro Colégio Naval! E veja a calmaria de pessoa que você vai se tornar!
- Vai começar esse papo de entrar pra Marinha de novo?
- Não, pô! É papo de “casamento”... Até isso a Marinha me ensinou – disse, rindo.
- Só faltava essa... Tem que passar pela Marinha pra conseguir casar? Melhor, pra conseguir manter um casamento?
- Eu não disse isso...
- Porra pai, você fez minha inscrição, cara???
- Que privilégio, minha “MAMÃE MARINHA” vai ser a sua também... Seremos irmãos! Que engraçado, né?
- Aahhhh, pai... Na moral, tô legal desse papo... “Permissão para me retirar” - disse eu, enquanto entrava no banheiro e fazia sinal de sentido.
- PERMISSÃO CONCEDIDA, SOLDADO! - Disse ele, em alto tom, de frente para porta do banheiro.
Rapidamente a abri e, pela fresta, falei:
- SOLDADO NÃO, NO COLÉGIO NAVAL EU JÁ SAIO COMO OFICIAL!!! - E tranquei a porta.
- Tô indo lá agora fazer sua inscrição!
- Você não disse que tinha feito? - Gritei de dentro do Box.
- PERMISSÃO CONCEDIDA, SOLDADO!!! AMANHÃ MESMO DAMOS INíCIO AOS ESTUDOS - disse ele aos risos.
-NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

--Desse cada (re) encontrar--




Fiz da minha poesia minha forma simples de dizer
Fiz do meu canto um encanto para confortar
As lagrimas que nascem do arrepiar do som
Cabelos que falam aos olhos o que querem ganhar
Olhos que falam aos corpos o desejo e o tom

Pendular-se-ia pelos ventos de outono
Lírio saborear do amanhecer pelos seus cabelos
Rasgando entre estrelas esse novo raio de luz
Agasalhar-se da novidade já conhecida
Da paixão ardida, mas tal única por se beijar.

Acordar com um toque já saudoso, saboroso todo se encantar.
Como se não houvesse amanha, fogoso efeito desse recíproco trocar.
Da noite passada, estrelas , lua e o sono.
Qualquer canto novo, prazer a nos contemplar!
E sigo apenas contigo, fugido a pensar;

Aguardar sem ver, momento novo a renascer.
Qualquer coisa que me remeta ao que sinto
Ao que vejo ,ao que não sei dizer.
Ao que me faz perdido,seco por viver.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poesia,pão e Cia



Poesia não se faz como pão,
Não se coloca no forno, não se bate, não se assa,não se segue receita,não se fermenta de pó
Poesia não se molha no leite, não se aguarda na água,não se pesa nem se ascende brasa a lenha
Poesia não se aprova,não se nega,não se rejeita
Poesia nem precisa ser aceita
Poesia so encontra com pão no seu momento único de se alimentar
Alimento d’alma, das palavras saboreadas,no recíproco se encontrar,se saciar.
Poesia tem diversos gostos que não da pra catalogar,separar,dimensionar
Mas poesia sabe nutrir,alimentar
Pão e poesia para os que têm fome
Poesia e pão para os que não têm nome
Sobre-nome
Homem

Pedalando por ai...


Confesso que minha aventuras de ciclismo começaram a uns 2 meses... Iniciei leve. Daí fui modificando a bicicleta, adequando altura, garfo com suspensão, banco, pneus e aumentando as distâncias, o tempo e o suor.
Pouco antes do Ano Novo - pra ser exato, uma semana antes - comecei a ir, de onde moro, ao Centro de Búzios, dava uma parada na orla, bebia uma água e voltava.
Todo o percurso durava, ou melhor, dura, cerca de 50 minutos EM PEDALADAS COM RITMO MODERADO, sem muito esforço ou cansaço.
No primeiro dia, ao chegar na praça principal aqui do Centro de Búzios, por volta de 6:30 da manhã - sim, estou acordando e pedalando cedo para os que não crêem - dei de cara com vários grupos sentados nos bancos, mesas, ainda bebendo, loucos, com carros abertos, som nas alturas, dançando,vomitando... E por um segundo pensei:
- Pera aí! Hoje é terça-feira, são 6:30h da manhã de 21 de dezembro de 2010?
Continuei pedalando, dessa vez mais lentamente, e me lembrando do percurso que acabara de fazer na estrada. O tempo estava meio frio, nublado, lojas fechadas, poucos carros na rua, padaria abrindo... Mas, para minha surpresa, a praça estava como o dia fosse um sábado a noite de um verão de 40 graus. Ao virar na rua à esquerda, seguindo para a famigerada “Orla Bardot”, me deparo com um grupo vindo em direção contrária. Mulheres com salto alto na mão, vestidos sujos, tropeçando, caindo, roupas íntimas à mostra... Num outro grupo, mais à frente, um cara de cueca, no colo dos outros que lhe davam um “banho de whisk”. Mulheres, bonitas mulheres, se escorando umas nas outras para o “Sudoeste não jogá-las no chão”. Passo por eles e uma diz:
- Hei, me leva de bicicleta, moço?? (com olhos virados, fala embolada e ‘tomara-que-caia mais que caído’). Enquanto os outros do grupo vinham segurá-la:
- Sai daí Renata, porra!!!
Chego à Rua das Pedras, à Orla Bardot, e, pra minha surpresa - e também ignorância - percebi que havia dezenas desses que saiam da discoteca Privilège, ainda aberta e tocando Trance em alto som. Aquela imagem pra mim foi de- como posso dizer ou achar palavra melhor? - “TOTAL Sodoma e Gomorra”. Inúmeras garrafas de ‘long neck’ quebradas no chão, carros com alto som e portas e porta-malas abertos, homens e mulheres se agarrando e se beijando na parede, abaixando as calças. Quatro casais no mesmo carro, parado, som alto e mais um, na mala, deitado em seu próprio vômito, enquanto os amigos faziam uma ‘ leve brincadeira’ com elas no veículo. assim como essa visão, o Sol já estava forte , o dia com cara de praia e as pessoas, sem o mínimo sentido das coisas, bom senso ou afins, coisas que o próprio álcool deve estirpá-las.
Engraçado pra mim fora ver como é o ‘outro lado da moeda’... Eu ali, lúcido, tranqüilo, bebendo água, pedalando, antes das 7 da manhã, e indo na contra-mão da madrugada, com adolescentes e adultos cuja noite ainda não tivera acabado. Como era curioso perceber que eles não me percebiam, ou não percebiam os pescadores que já chegavam com seus barcos lotados, não reparavam naqueles que já praticavam seu cooper matinal... Não! Eles não se davam conta de que a noite já tivera virado dia, e, obviamente, não paravam de beber... Carros saiam e iam até os postos “AM-PM” buscarem mais para que ficassem ali na rua mesmo. Bebendo, consumindo pó, “dedo de Hulk” e outras “cositas mais” (RISOS). Eu observava três caras que vinham em minha direção, abraçados, cantando algo que não dava para identificar. Eles gritavam e pulavam! O do lado esquerdo se soltou e começou a dançar sozinho “
- que som fodaaa esse que ta tocando!!! - ouvindo de algum carro próximo. Sozinho ainda, na sua dança se virou e deu de cara com uma árvore. Tentou se segurar, mas já era tarde... “Voou” pra dentro da água da Praia do Canto. Os “amigos” correram, rindo e se agacharam. Falaram mais meia dúzia de ‘abobrinhas’ enquanto o outro, com água pela cintura, tentava pensar em como sair dali.
No que estou observando - bastante curioso - o fim desse episódio, encostado na minha bicicleta, escuto um som mais alto - meio ‘Tum-tum-tum’ - atrás de mim. Olho então e vejo um carro conversível preto cujo modelo não identifiquei, com bancos de couro, capota de igual material, rodas enormes e um cara no volante e outro do lado com uma garrafa de Absolut pela metade e com a cabeça baixa. (Desse tipo de carro que só tem dois bancos, sabem?) Olhei pro cara. Ele me olhava... Desviei e o voltei a olhar pro retardado nas águas gritando:
- Mutliiiii, faça alguma coisaaaaaaaaaaaaaaa!!!(lembrei logo do antigo desenho animado que tinha esse personagem) Daí ressurge na minha visão o carro de dois bancos. O cara diz:
- Aí, irmão! Você aí grande, da bicicleta!” - disse embolado e sotaque paulista.
- Opa, eu?” – Respondi, virando em sua direção.
- Podes crer ‘fita’! Seguinte: quando que tu arruma uma ‘farinha’ pra nóis aqui?” - batendo o dedo indicador no próprio nariz.
E eu: - Pô parceiro... Te falar, não mexo com isso não...
Ele: “- QUAL FOI IRMÃO? Arruma aí um “pó” pra nóis irmão, dinheiro não é problema não!!! - falava ele, mais embolado ainda, enquanto abria sua carteira e deixava cair documentos, papéis e notas de R$50,00 dentro do carro.
Eu: -Parceiro, se liga só, EU NÃO MEXO COM ISSO, tá ligado? Eu NÃO VENDO essa parada, e EU NÃO QUERO SEU DINHEIRO!
Ele, insistindo: - Porra, ajuda ‘nóis’ aí! Onde que eu arrumo aqui?
Depois de pensar por alguns segundos, apontei pra frente:
- Você tá vendo aquela árvore lá?? Do lado daquele quiosque Azul e Branco?”
Ele: “- Tô ligado...”
Eu continuei: - Vai lá, deve estar fechado, mas pode bater na janela q o maluco que mora ali dentro tem, ele sempre arruma aí pro pessoal.
O cara, feliz da vida:
- Putzz!!! Valeu irmão, tu é ‘fita nossa’!!! - e saiu arrancando com o carro. A essa altura eu já pensava:
É... Vou me adiantar logo, antes que o maluco chegue até a árvore e fique igual a um retardado batendo na janela do quiosque dos outros, esperando ser atendido por um ‘vendedor de drogas’ que não existe - bom, pelo menos ali dentro não – e dei um leve sorriso.
Enquanto pedalava na volta, vinha eu pensando que eu estava era mesmo na hora e no local errado... O cara entrar numa de que eu vendia o bagulho... cara,é impressionante como essas coisas acontecem comigo!!!
Parei na loja do posto de gasolina, já perto da estrada, pedi uma água e, não mais para minha surpresa, mais alguns carros parados e mais gente ainda bebendo, vomitando, caindo pelo chão e ouvindo Funk , Dance, Trance... Tudo nas alturas! Enquanto chegava próximo do balcão fui abordado por um maluco barbudo, com cabelo grande e bagunçado, piercing na boca e nos olhos, camiseta vermelha do ‘CHE’, bermuda suja e tênis All Star.
Acabei pensando com preconceito: “Pronto, esse agora vai perguntar se vendo maconha.” E com os olhos vermelhos, trincando os dentes, colocando a mão no meu ombro, ele disse:
- Bicho... Eu te conheço?
Eu: - Depende do que você vê!
E o cara: - Sim bicho, eu te conheço...
- Pô, que parada... Foi mal, não tô lembrando de você - disse eu, me esquivando e já pedindo minha água.
Ele insistiu: Cara, eu te conheço! - falou, olhando na minha cara.
Olhei bem na “fuça” daquele maluco
- Parceiro, se liga, acho que a gente não se conhece não, tu tá falando merda aí, eu tenho que “meter o pé!
– LEMBREI VOCE É O CARA QUE APRESENTAVA O VIDEO SHOW, PORRA, AGORA É DJ!!! Você já até tocou aqui em Búzios! – disse ele, chamando um de seus amigos.
E eu, já subindo na bicicleta:
- Não mané, não sou eu não!
- ANDRÉ MARQUES” - disse, gritando, e os outros me olharam.
- Quanto que é água, parceiro? - perguntei rápido pro cara do balcão.
-R$1,50
- Putz, só tenho 1 Real.
- 1 conto? Pro ‘André Marques? eu faço po! - disse, rindo ironicamente, o balconista.
E o maluco da camisa do ‘CHE’:
- Que viaaaagemmm te encontrar aqui! Olhei pra moeda de 1 real, pensei no que o cara do balcão falou... “Um conto”. É... Deve valer um CONTO essa pedalada de hoje..
- Valeu, parceiro! Fui!!!”
- Coe, André?? Volta aí, irmão!!! ANDRÉ, ANDRÉ, ANDRÉÉÉÉ!!!” –gritava o cara no posto
E eu, pedalando rápido meio que ‘fugido’:
- Vaiiii tomarrr nooooooo seu.........