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domingo, 11 de novembro de 2012

Madrugada Entre-Rios


Escrevo para os que têm insônia e fome na madrugada.Deitados ainda, tem aquela preguiça de se levantar, andar sozinhos pela casa vazia, cheia apenas de silencio e angustia.
Medo até ,diria, dos corredores escuros, o medo de algum barulho, o som estranho que pode brotar inesperadamente no se calar frio e chuvoso desse madrugar solitário.
O sono também não vem todo,seria até uma rápida solução,não sente fome quando se dorme.
Mas ele não vem, são 2:30 da madrugada, o computador ligado no canto onde só a luz desse monitor é o que reflete dentro desse quarto qualquer visão calada, muda,sozinha.

A coragem vem junto com o estômago que parece não mais aguentar,o levantar como quem amanhece, dor nos pés,um pouco também nas costas,caminhando pelo corredor antes descrito, procuro em vão o interruptor.Até hoje não sei nem onde se ascende a luz nessa casa vazia.
A cozinha chego e da geladeira a unica luz,procurando uma fruta, um leite,um pão, algo que alimente o corpo, o tempo , o pensamento as inquietações.
Sentado em “puff” amarelo, mordendo uma maça, água fervendo para um chá, falo sozinho para um boneco de criança jogado no chão:
- Madrugada estranha não Wilson?
Começo a rir sozinho, acho-me louco, lembro-me do filme ,deste personagem,continuo a mastigar com espalmo labial, olhar para a parede branca,reparo pequenas rachaduras,me sinto vazio de sentimentos.
É como se a saudade fosse o sentimento como um todo e a solidão fragmento grande dela,como se vivessem juntas,contidas uma na outra e são elas que me são companhia nessas madrugas distantes das pessoas que amo.


A água ferveu, fiz o chá,fui pra quintal,sentei na beira do jardim e fiquei olhando pro céu.
O relógio me apontava mais de 3 da manhã,entre um gole e outro,já não tinha mais chuva, o céu escuro escondia também as estrelas e dava um ar mais sombrio para essa noite.

Postei-me ali a pensar mais uma vez nessa distância,dessa escolha,dessa saudade e junto dela essa solidão. A Madrugada silenciosa ,o vento parou,mais goles do chá e uma apatia que não permitia nem o choro nem vela, nem angustiado ou preso,apenas o apático daquele momento.

Volto pro quarto,ligo o som em volume baixo, reparo que o relógio na parede esta quebrado,marca sempre 11:45,e fico ali deitado,ouvindo o som, pensando nesse relógio e nesse tempo que parece não parar, paradoxalmente ao que me mostra na parede.(já são 3 meses que estou por essas bandas de cá.)
Os fins de semana nesse lugar parecem ter 7 dias, e os dias,cada um 48 horas.
Penso em ir pra internet,mas a vontade se vai,penso em ler algo mas não passo da pagina em que parei,desisto e decido escrever.
É como um bomba presa nos dedos e no pensar,me destilo em palavras,pronto a descrever, esses dias tão vazios, loucos por se esquecer.
Vai passar,já dizia o outro, tudo passa, passará,mas eu continuo aguardando, fecho os olhos,oro sem silêncio,me viro e espero o sono chegar,lembro da proximidade do meu aniversário, lembro de inferno astral, volto a orar,o sono vem chegando, é hora de se entregar.Boa Noite.

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