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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Parte 1 – DELE COM ELE MESMO



Aquela noite,lá pelos 30 anos, as palavras ficaram mesmo no vão,bem entre as coisas,ali,perdida nas preposições do momento da vida(a ,ante,após,até,com,contra..) ela se calou.a Voz seca e grossa tentava conversar,em vão, com uns olhos banhados n’gua a observar os pequenos barcos,distantes,naquele mar que reluzia a lua naquela noite cheia,fria e tenebrosa.
Era como se ele procurasse,bem distante daquelas águas uma resposta para sua vida,seus desejos,seu amor, sua aventura de ser o que ele não conseguia ser,e assim se questionava.
Se era o trabalho,o lugar, a mulher que amava,o tempo,a falta dele ou o profundo se afogar neste e,mais uma vez, não conseguia se dizer nada,alem desse acaso escuro e estranho que sempre o tocava e incomodava.também tinha a angustia que nascia na rotina daqueles dias e o matava bem aos poucos,como quem tirava todo dia um palito daquela castelo de fósforos,grande,aparentemente forte e torto.Que tombava gradativamente e so ele percebia.
Era um ser animado,dentro de todo seu humor sarcástico e descontraído também havia um olhar sereno e bucólico para algum cerne existencialista desse mundo,dos sentimentos e todas as formas de demonstração disso.
Ali,sentado,sozinho,quieto,vento cortando o rosto,no frio,a noite,a falta de um abraço,de uma voz que pudesse dizer,esclarecer,dar rumo,dar musica para aquela dança comedida,ele fecha os olhos,leva o copo de licor na boca e engole uma vontade de florescer,escrever,desabrochar,poetizar,por aqui ser,o que se está,sendo,escrevendo,no fundo sorrindo desse curioso,por se fazer,continuo gerúndio da transformação.Quem estou sendo então?

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